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Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Artigo Acadêmico: Narcisismo - Primeira Abordagem


A princípio quando comecei a discorrer sobre essa questão surgiram dúvidas, inseguranças e receios de estar me desviando de tudo que já estudei sobre narcisismo, mas felizmente encontrei depois estudos publicados que me amparam.

Será que a “Síndrome de Narciso” ou o “Transtorno Narcísico da Personalidade (TPN)”, antes de ser tratado como um componente maléfico da formação do indivíduo, não poderia também ser tratado como uma característica espontânea, desenvolvida em meio à sua organização psíquica, a fim de complementar seus mecanismos de sobrevivência, mediante o meio que é inserido?

Uma afirmação de Nietzsche que sempre me chamou a atenção foi: “o homem nasce perverso, homicida e canibal”. A primeira vez em que ouvi esta citação, foi numa aula teórica e confesso que fiquei chocada, como se a minha visão romântica sobre a constituição do ser humano tivesse sido devassada, seria só ingenuidade ou seria o meu percentual narcisista se rebelando? Não sei. Enfim, sob a ótica dele, o narcisismo passaria a ser uma graciosidade da personalidade.

O indivíduo, enquanto feto, tem as suas necessidades plenamente satisfeitas e seu mundo é conhecido e dominado, a partir daí, ele cresce, vem o narcisismo e tudo muda: suas necessidades são satisfeitas, mas não mais a sua mercê, o mundo não mais é dominado por ele, que agora é apresentado aos primeiros sentimentos de temores e ameaças. Aqui podemos vincular à “fase do espelho” (Lacan) durante a constituição egóica. A criança se reconhece como ser uno e começa a aprimorar seus mecanismos de sobrevivência para satisfazer-se cada vez mais e melhor.

Complementando o parágrafo anterior, o narcisismo adquire uma prioridade sobre a sobrevivência física. A exigência egóica de ser amado, se desenvolve a partir de uma necessidade de satisfação narcísica. Tal necessidade agirá no psiquismo como uma espécie de atividade pulsional, sendo sempre convocada a ser satisfeita acompanhando o sujeito por toda sua vida, levando-o a ultrapassar e superar as tendências pulsionais parciais. A partir daí “é um pulo”, até a determinação do “eu ideal” de Freud.

Eis, pois, a armadilha armada: a sutil diferença que determinará se um sujeito apenas possui características narcísicas ou se sofre da patologia do Transtorno Narcísico da Personalidade (TPN). A sutileza a que me refiro é quando o narcisismo começa como condição natural, com a dose certa de amor próprio que nos resguarda e preserva, que incentiva a auto-estima e nos auxilia na busca pelo sucesso, ou seja, condição saudável que discretamente a se expandir, e passa a se transformar em auto-adoração.

O termo “adorar-se”, me lembra os protagonistas das tragédias gregas, que tinham esta característica em comum, mas o sujeito da atualidade que me refiro é aquele com as seguintes características:

- Justifica todas as suas falhas (sim falhas, porque os defeitos inexistem nele);
- Acredita que fez um grande favor ao mundo nascendo e, que deve ser recompensado por isto;
- Apresenta sintomas de irritabilidade permanente e justificada (sim, porque o resto do mundo não reconhece sua importância);
- Arrogantes, ausentes de empatia, manipuladores, auto-suficientes, invejosos, competitivos, ente outros...

A conclusão sobre a primeira abordagem do Narcisimo: a distinção do sentido pejorativo, ao qual estamos habituados a ouvir, que seria a condição patológica, do sentido saudável, da característica nata, que deve ser reconhecida e aceita, cuja ausência total resultaria em baixa auto-estima e insucesso. Onde fica o limite que separa o narcisimo “benéfico” do “maléfico”?

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