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Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 18 de março de 2009

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE



Aos poucos, patologias psicoemocionais que não eram muito exploradas e decodificadas estão sendo cada vez mais, alvo de estudos e classificação, o que é excelente, no entanto, isto implica numa outra questão: os diagnósticos ou auto-diagnósticos, equivocados. Quanto maior o número de opção diagnóstica para um conjunto de sintomas que se assemelham entre si, maior a dificuldade em identificar o correto.

Um exemplo desta dificuldade é equalizar os sintomas, com o histórico de vida, mais o contexto atual familiar e determinar o Transtorno de Personalidade Borderline ou Transtorno de Personalidade Limítrofe.


O termo Borderline, faz alusão a “linha da borda”, a condição emocional “fronteiriça” entre a neurose e a psicose. O termo foi usado pela primeira vez em 1884, por um psiquiatra inglês chamado Hughes, depois disto, foi abordado com outras classificações, mas sempre com o mesmo significado. Reich chamava de “caráter impulsivo”.


Deixando de lado a questão epistemológica e partindo para o fundamento do artigo, acredito que ainda há muita incerteza em caracterizar uma patologia como Borderline. Vejo que a principal atribuição para esta conclusão é a tendência a auto-lesão, a pessoa que intencionalmente se machuca/ mutila por razões que estão acima do seu desejo de controle.


Na verdade este transtorno vai além deste sintoma e é mais complexo do que a maioria das pessoas acreditam ser.


A começar pela causa razão de sua instalação, que apesar de se ter identificado que aproximadamente 70% dos casos, estão relacionados à abusos sexuais na infância, não é o único ou principal fator que possa desencadear a patologia, também faz parte deste quadro:

- ainda na infância, abandono ou negligência dos pais ou cuidadores;
- exposição excessiva a experiências de humilhação e frustração;
- confronto precoce com situações insolúveis;
- entre muitas outras.

O mesmo ocorre com relação aos sintomas ou características do Borderline. Conforme citado acima, a principal característica apontada é a auto-lesão, no entanto, isto por si só não basta, de forma alguma para determinar este distúrbio. Existem outros sintomas, que auxiliam a formar um quadro mais preciso de identificação:


- sentimento permanente de vazio ou incompletude;

- temerosidade ao abandono, separação;
- intolerância a solidão;
- tendências sexuais não normais (Parafilias);
- dificuldade na administração de conflitos pessoais;
- pequenos estressores causam grande fúria;
- imediatismo desregrado;
- incapacidade de sentir prazer (Anedonia);
- neurose poli-sintomática (Fobias, TOC, Histeria de Conversão, Amnésia Breve, Hipocondria, Impulsividade desordenada, etc.);
- dificuldade no desempenho de tarefas que exigem perícia e persistência;
- psicose breve (desrealização/ despersonalização);
- entre outros.

O tratamento psicoterapêutico poucas vezes tem chance de ser suficiente para tratar o Transtorno de Personalidade Borderline, muitas vezes, essencialmente, é necessária a administração de antidepressivos e estabilizadores de humor, indicados pela Psiquiatria. E a partir daí, a eficácia do acompanhamento analítico terá “fôlego” para identificar e tratar a causa do distúrbio. Quando o problema é identificado no início da sua manifestação, é possível que a intervenção medicamentosa não seja necessária.


Como todo distúrbio psicoemocional, o desgaste não se limita só ao sujeito, mas sofre tanto quanto, quem está ao seu lado, como a família. A falta de conhecimento e da identificação de que se trata de uma “doença” torna tudo ainda mais difícil.


Esta é uma abordagem bastante sucinta sobre o assunto. O importante, a saber, é que há tratamento, há como converter casos crônicos através de conciliação terapêutica adequada.

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