BEM VINDO!

Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

FRAGILIDADE EMOCIONAL



Na semana passada, assistindo a um noticiário esportivo, fui surpreendida pela atitude de um técnico de futebol, que fez uso de uma estratégia psicológica para atingir seus objetivos. E, resta complementar para justificar minha surpresa, o sucesso que este técnico obteve, pelo menos no que diz respeito aos seus propósitos daquele momento.

Eu explico: o jogo (ou o resultado dele) favorecia a determinado time (o do técnico em questão), no entanto, havia um ou dois jogadores do time adversário, que estavam apresentando um desempenho que poderia representar uma ameaça. Um deles já transparecia estar emocionalmente desgastado, sua irritabilidade passou a ser visível, foi quando justamente, identificando este fator, este técnico (o do time em vantagem) pediu uma substituição e colocou um jogador com um propósito distinto ao de jogar bola: era com o objetivo de provocar a expulsão do jogador “ameaça” que já se encontrava em fragilidade emocional. E conseguiu!


Pois bem, cheguei ao ponto que gostaria: a tal fragilidade emocional, aquele momento em que tudo fala mais alto, menos a ponderação. Quando é a raiva que predomina, nos sentimos até mais fortes para lutar contra o outro; quando é a revolta e a indignação, nos tornamos surdos para nos concentrarmos apenas na nossa versão; quando é a ameaça então, adquirimos novas habilidades para sustentar a própria defesa; e o sentimento do ciúme? Este é o mais irracional deles.


O que de fato eu gostaria de pontuar é que a fragilidade emocional leva a uma grande ilusão psíquica, pois quando nos sentimos tomados pelas sensações descritas acima, e quase sempre nos sentimos mais fortes, é justamente quando estamos mais fracos, expostos, previsíveis e impotentes emocionalmente. Em grande desvantagem com relação a quem ainda detém o controle das emoções. E o mais interessante desta ilusão é que “perder o controle” dá prazer! Isto mesmo! Um prazer oculto, que desopila o fígado e produz adrenalina. Está aí a sedução em “chutar o balde emocional” de vez em quando. A questão é: que benefício isto traz? Quase sempre: nenhum, ou pior: arrependimento.


A terceira lei de Newton, que diz: “a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”, poderia estar muito mais para teoria psicanalítica do que para Física, tamanha é a frequência com que se reproduz no comportamento humano.


Enfim, guardadas as exceções patológicas (TPM, Bipolaridade, Depressão, etc.), é possível cada um estabelecer para si, uma linha limite entre o autocontrole e a perda dele, e instalar aí, uma sirene de emergência, que deve tocar cada vez que esta linha estiver prestes a ser ultrapassada. E quando tocar é essencial mudar imediatamente o foco da atenção, até restabelecer a ponderação.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

ANTIDEPRESSIVOS E ANSIOLÍTICOS



A Revista Época, edição de fevereiro/ 2009, trouxe um artigo interessantíssimo sobre ansiolíticos, especificamente o Rivotril, que vale muito a pena discorrer mais sobre o assunto.

Lá (no artigo) menciona que em 5 anos, este medicamento pulou no ranking do 6º mais vendido no país para o 2º, superando até mesmo os medicamentos básicos da “farmacinha doméstica”. Por que isto ocorreu?


Entre outras respostas, uma delas, mas não diria que a principal: é seu baixo custo. Mas o que nos interessa especular mesmo, é o que leva tanta gente a recorrer ao seu uso, ainda mais sendo uma venda controlada por receita restrita? As pessoas adoeceram mais nos últimos 5 anos, houve uma campanha de marketing da indústria farmacêutica sobre o remédio, os psiquiatras concluíram através de estudos que este medicamento é a base para o tratamento de patologias diversas? Não para todas estas perguntas.


O que impulsionou esta venda, além de seu baixo custo, é esta necessidade crescente em buscar soluções imediatistas para os sintomas, sem se interessar pela causa deles. É uma demanda de pacientes superior a oferta de profissionais nesta área (Psiquiatria), o que acaba viabilizando esta solução paliativa que ameniza o incômodo do problema enquanto se posterga a sua “cura”.


Só que, não existe ansiolítico sem efeito colateral, nem tão quanto dosagem segura, ou seja, sem risco de causar dependência, cada organismo é um e cada um reagirá biologicamente de forma diferente.


A ansiedade faz parte da nossa formação psíquica, não há como extingui-la, é ela que nos impulsiona para a vida. Quando ela se transforma em uma patologia, alguma razão há para isto.


A diferença entre a minoria que necessita do uso da medicação e necessitará, talvez, permanentemente, e a maioria que viu no seu uso uma resposta rápida para um sintoma sem resposta, é justamente a ilusão de que isto é possível ser feito sem conseqüências.


O uso de um psicofármaco é coisa séria e deve ser tratado como tal. Não é solução instantânea, ao alcance do uso comum, que as pessoas podem recorrer a qualquer momento. As facilidades, os avanços, as descobertas de novos recursos provenientes dos últimos séculos, devem ser usados para nos promover a saúde e a longevidade, mas isto não significa necessariamente a via mais fácil, o caminho mais curto ou de menor incômodo.