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Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
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Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

O CASAMENTO NO DIVÃ



Uma vez me perguntaram por que a terapia de casal, em sua totalidade, acontece entre casados, já que noivos e namorados também têm seus conflitos?

E a resposta foi simples: porque enquanto não temos a tal “assinatura” do outro no contrato jurídico e/ou religioso, continuamos fazendo de conta que o aceitamos como ele é. E também porque a vida a dois, debaixo do mesmo teto, muda muito quem era apenas namorado.


Parece sórdido, mas não é. Existem outras assinaturas que têm a mesma referência: um filho, uma união estável superior a 1 ano, enfim: garantias. Quando o sujeito se sente ilusoriamente “garantido”, há uma tendência em ampliar as fronteiras dos seus direitos sobre o outro.


E a partir daí, busca-se, gradativamente, mudanças, adequações, aceitações, aperfeiçoamentos em favor próprio, como se isto fosse totalmente legítimo de ser feito, já que se propuseram a estarem juntos. Mas, veja bem, este é um mecanismo (às vezes) involuntário e inconsciente, acontecendo de ambas as partes, simultaneamente. E, graças ao amor que sentem um pelo outro e o desejo de permanecerem juntos, filhos, ou razões diversas, vão cedendo, às vezes sob alguma resistência, mas vão se moldando um ao outro. Invariavelmente, todo casal passa por isso, alguns em maior proporção outros em menor, mas nenhum escapa.


E as tais adequações não se limitam a ordem prática, do tipo como cada um prefere dormir ou a ordem que preferem seus armários, estou me referindo a algo muito mais complicado que isto: o comportamento, as atitudes, a maneira de ser e pensar de cada um.


Algumas vezes, antes do primeiro ano de união já está estabelecida a confusão e ninguém sabe como ou por que ela se deu, já que enquanto namoravam tudo ia tão bem. Em outros casos, levam alguns anos para um dos dois se dar conta, que muito da sua identidade pessoal se perdeu, ou pior, foi roubada, sua referência de si mesmo(a) está toda emaranhada com características que ele(a) não teria escolhido para si.


A nobreza da vida à dois é justamente compartilhar, oferecer e receber cumplicidade, construir um relacionamento sob alicerces firmes, que podem perfeitamente ser diferentes. O grande empecilho é que a maioria não aceita navegar num barco que tenha dois lemes, há o medo de repente de se ver à deriva.


Garantir o controle do relacionamento, cravar suas condições no coração do outro, não significa evitar os riscos implícitos na vida a dois. E é por temer tais riscos que se acaba por tecer armadilhas maiores e às vezes insolúveis.


O casamento significa vidas compartilhadas, mas continuarão a serem duas, o relacionamento será um só, mas seus membros continuarão a ser cada um, um. O conceito que se distancia muito disto, acaba se aproximando de contos de fadas que não condizem com a vida real e a realidade não sobrevive de ilusões.


E o que traz estabilidade e equilíbrio aos conflitos não é uma varinha mágica, mas sim a comunicação, conquistada e amadurecida às duras penas, onde a humildade de suportar ouvir o que não deseja, vindo da boca do outro, deve ser maior que a própria vaidade, a generosidade de querer o melhor não só para si, mas para ambos, deve se sobrepor ao próprio instinto.


Isto é casamento na prática. Não se iluda ao ponto de acreditar que é fácil, mas não desista ao ponto de achar que é difícil. É vida à dois!

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