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emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

FÁBULAS, FANTASIAS E FRUSTRAÇÕES



Aprendemos desde criancinha, a fantasiar, aliás, podemos crer que esta habilidade não é necessário ensinar a uma criança, ela a incorpora naturalmente. E os contos de infância, onde habitam as fadas, os príncipes, as bruxas, os duendes e principalmente a célebre: “felizes para sempre”, parece que toda criança está “fadada” a conhecer.

A questão, é que esta habilidade incorporada na infância, nos acompanha também na vida adulta, e muitas vezes nos prega peças, distorcendo a realidade e ofuscando a nossa visão. Assisto isto acontecer com muitas pessoas maduras, inteligentes, perspicazes e submetidas ao mesmo cativeiro: o das suas próprias ilusões.

Eu explico melhor: não é raro encontrar mulheres que idealizaram seus companheiros, depois se casaram, e projetaram essas fantasias sob seus maridos. Algumas vezes o sujeito sequer passa perto do perfil idealizado, é apenas um figurante que receberá as projeções. Mas o desavisado, quase sempre, não é informado sobre seu papel a desempenhar e, fatalmente, decepcionará a roteirista (sua esposa). Ele pode ter, e certamente tem, outras características que poderiam fazer dele um bom marido, mas elas (as suas características) não estão contempladas na fantasia inicial dela (a esposa), então não são consideradas como válidas.

O mesmo ocorre com os homens que idealizam suas gatas borralheiras: que lavam, limpam, cozinham, cuidam de filhos, e estão lindas, alegres e sorridentes esperando-os chegar, sem tecer nenhuma reclamação, sinal de cansaço ou frustração. E tem mais: muitas gatas borralheiras ainda trabalham fora, tanto quanto seus maridos.

Brincamos de faz de conta o tempo todo, só mudamos o contexto das fábulas, não fazemos isto só na infância, mas continuamos a fazer na vida adulta e não percebemos, nos frustramos, nos decepcionamos, cobramos do outro o que ele nunca se propôs a oferecer e quando somos apresentados a realidade, ainda conseguimos transferir a culpa para o outro.

Existem as pessoas que insistem em suas fantasias até o último suspiro, não abrem mão de suas idealizações haja o que houver. Mesmo se o figurante for a representação do avesso do papel idealizado, ainda assim preferem pagar o preço.

Idealizamos o trabalho, a casa, o marido, os filhos, os amigos ideais, tudo que corresponda a nossa necessidade de fábula, e deixamos do lado de fora da nossa aceitação, tudo o que não corresponde. E aí pode ficar de fora tanta coisa aproveitável, tanta gente boa, tantas outras qualidades não vistas, tantas verdades não ouvidas. Simplesmente porque o roteiro foi escrito a tinta e não a lápis.

Também há quem, a primeira vista, aceita o figurante como ele é, depois descobre que não corresponde ao escopo, e quer cobrar esta conta dele. Como uma Rapunzel que se sacrifica esperando o cabelo crescer por anos a fio, até descobrir que o Príncipe tem medo de altura e nunca subirá na torre, mas ela perguntou isto a ele antes por acaso?

Já recebi algumas mães, que traziam seus filhos para tratamento terapêutico, porque eles “tinham problemas”. Quando na verdade o único problema era não corresponder às expectativas de personalidade e comportamento que a mãe havia traçado para eles.

O mesmo ocorre nas terapias de casais, onde um dos dois, ou até ambos, busca(m) a cumplicidade do terapeuta para “mudar” seu companheiro(a). Não necessariamente porque há uma patologia estabelecida, mas porque seu comportamento não combina com as expectativas do outro.

Essas fantasias, normalmente se instalam, ao longo do tempo, no âmbito na nossa inconsciência, portanto, é necessário questionar por que algo ou alguém não corresponde às nossas expectativas? Por que é consistentemente inaceitável ou simplesmente por que não combina com nosso “fabuloso universo particular”?

Os sonhos e as idealizações devem fazer parte da vida de qualquer pessoa, desde que não seja uma manifestação egocêntrica, ou um mecanismo para saciedade de carência afetiva, ou seja, se alguém se molda aos desejos do outro, isto pode ser interpretado como prova de afeto, mas não é a maneira saudável de fazê-lo.

2 comentários:

Márcia Palves disse...

Oi estou fazendo uma pesquisa sobre fábulas e psicanálise e achei seu texto legal. Parabéns.

Psicanalista/ Psicoterapeuta disse...

Obrigada, Márcia! Fico feliz que tenha gostado. Volte sempre!