BEM VINDO!

Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PROGRAMA REALIZADO QUARTA - FEIRA 27 DE OUTUBRO: "DEPRESSÃO E SEUS DESDOBRAMENTOS" ENTREVISTA: LINDALVA MORAES - PSICANALISTA


 







QUE É DEPRESSÃO? É UMA DOENÇA?
É uma psicopatologia, ou seja, doença que afeta principalmente a ordem emocional, o que não significa necessariamente que sua causa ou seus sintomas se atenham apenas ao setor psicológico. Atualmente ela é contemplada e subdividida no CID 10 da OMS (ONU).

COMO É A DEPRESSÃO?
É uma doença sorrateira, que pode chegar sem precedentes ou aviso prévio. Pode se instalar aos poucos através de eventos psicossomáticos, ou de repente em decorrência traumática, por exemplo. Mas, o mais importante é não subestimá-la, já que é uma doença e deve ser tratada como tal.

EXISTEM TIPOS DE DEPRESSÃO?
Sim. A depressão é classificada inicialmente em:
a. Primária (não tem causa detectável) ou Secundária (referente a doenças físicas ou medicamentos);
b. Genética;
c. Unipolar ou Bipolar;
d. Leve moderada ou grave (de acordo com o grau de comprometimento funcional).

Em seguida vêm seus subtipos:

1. Depressão reativa ou secundária:
- físicas = AVC, hipo ou hipertiroidismo tumores cerebrais, ...;
- medicamentosas = anticoncepcionais, hormônios tiroidianos, corticosteróides, ...;
- emocionais = luto, tragédia, ...;

2. Depressão menor ou distimia (passa por fases melhores e piores, com duração de 6 meses a dois anos);

3. Depressão maior ou unipolar: sem causa aparente, decorrente por pré-disposição a doença, eventos psicossomáticos, ou um déficit funcional nos neurotransmissores (dopamina, noradrenalina ou a serotonina).

4. Depressão bipolar: primária e endógena (de origem interna).

QUANDO A PESSOA SÓ PENSA EM COISAS NEGATIVAS É UM PASSO PARA A DEPRESSÃO?
Sim e não. Se esta é uma característica isolada da personalidade de uma pessoa e ela administra isto como um mecanismo de defesa ilusório (que diga-se de passagem todos nós temos um pouco), ou seja, “sempre espero o pior porque se vier já estarei preparada e não sofrerei tanto” (bobagem, só vai sofrer com antecedência e sofrerá tanto ou mais se acontecer o tal pior) , aí não significa que está a caminho de um quadro depressivo, mas se este for um sintoma que junto com outros passa a caracterizar a tristeza do indivíduo... aí sim.

O DEPRESSIVO É UMA PESSOA INSEGURA?
Em geral sim, porque ele é acometido por sintomas alheios ao seu controle, que conforme a gravidade, o domina e o põe refém.



QUAIS OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO?
 Os sintomas se dividem em dois padrões: depressão com retardo ou depressão agitada.
- Sintomas de humor;
- Sintomas Cognitivos: baixa auto estima, sensação de inadequação, pessimismo, desmotivação; generalização das atitudes negativas; exagero da seriedade dos problemas; processo de pensamento mais lento, ...
- Sintomas Motores: retardo ou agito psicomotor;
- Sintomas Somáticos: Insônia ou hipersonia; transtornos alimentares; perda da libido, sistema imunológico (menor produção de linfócitos)
Em suma: reclusão, apatia, pessimismo, transtorno alimentar, intolerância, irritabilidade, insônia ou hipersonia, baixa auto estima, sentimento de incapacidade.

 A PESSOA DEPRIMIDA SABE E TEM CONSCIÊNCIA DAS COISAS BOAS DE SUA VIDA?
O deprimido não perde a consciência em momento algum, mas é como se estas coisas não fossem suficientes para impedir seu adoecimento. Inclusive ele se culpa bastante por não se sentir capaz de valorizar tais coisas ou pessoas boas em sua vida.

ELA SEMPRE SABE OS MOTIVOS DA SUA DEPRESSÃO?
Como a maior incidência dos casos refere-se a depressão de ordem primária, ou seja, sem causa detectável, as pessoas não reconhecem de pronto tais razões. Mas para os casos de depressão de ordem secundária (traumática), eles supõem quais as causas.

PORQUE MUITAS VEZES NÃO CONSEGUE SAIR DESSA SITUAÇÃO SOZINHA?
Porque não se trata apenas de uma desordem psicoemocional, a depressão tem desdobramentos orgânicos, ou seja, há comprometimento no sistema de neurotransmissores, na maioria dos casos é necessária intervenção medicamentosa para inibir os sintomas e a pessoa ganhar fôlego emocional para identificar as causas.


AS DOENÇAS DEPRESSIVAS PODEM SE MANIFESTAR DE DIVERSAS MANEIRAS?
Sim, principalmente se levarmos em consideração sua classificação primária em unipolar e bipolar e depois os diversos tipos de sintomas.



HÁ PESSOAS QUE FICAM CALADAS DIANTE DAS SUAS
PREOCUPAÇÕES, OUTRAS CHORAM, OUTRAS CONTAM SUAS DIFICULDADES PARA TODO MUNDO. QUAL PODE TER DEPRESSÃO?
Na verdade qualquer uma destas, mas o mais usual no depressivo é o estado de  reclusão, mais calado, mais introspectivo, e principalmente a manifestação do choro.

PODEMOS FAZER UMA COMPARAÇÃO DIDÁTICA ENTRE A DEPRESSÃO E A ALERGIA? A ALERGIA É UM TIPO DE RESPOSTA DE NOSSO ORGANISMO À ALGUMA COISA CAPAZ DE IRRITAR. COM A DEPRESSÃO É ASSIM?
É bastante interessante a analogia, e de forma simplista podemos sim compará-las. No entanto, a depressão nem sempre é conseqüência de um agente invasor, por vezes ela acontece por razões puramente endógenas, ou seja, hereditariedade, pré-disposição ao desenvolvimento da doença, que é desencadeada por um gatilho mínimo.

A DEPRESSÃO PODE SE MANISFESTAR ATRAVES DA SÍNDROME DO PANICO?
Na verdade uma patologia pode levar a outra e vice-versa.Tanto as limitações da síndrome do pânico pode levar a um quadro depressivo, como a reclusão e o pessimismo decorrente da depressão pode levar ao pânico.

A DEPRESSÃO PODE APRESENTAR SINTOMAS FÍSICOS?
Sim e muitos, podemos inclusive podemos dividir por especialidade, alguns exemplos:
- Cardiologia: palpitações, taquicardias, dor no peito;
- Gastroenterologia: cólicas, diarréias, inflamação gástrica;
- Neurologia: formigamentos, cefaléia;
- Otorrino: vertigens, tonturas;
- Clínica Geral: falta de ar, sensação de desmaio, fraqueza, falta de apetite;
- Ginecologia: alterações menstruais;
- Ortopedia: lombalgias, dor na nuca.


CRIANÇAS DEPRIMIDAS, EM GERAL, COSTUMAM IR MAL NA ESCOLA, FICAM
REBELDES, IRRITADAS E NÃO SE MOSTRAM TRISTES?
Quando todos estes sintomas se apresentam, normalmente ela também se mostrará triste, na maior parte dos casos. Mas certamente que a criança também se refugia em seus próprios sentimentos e ela própria não consegue identificar ou demonstrar suas emoções.

A FALTA DE DISPOSIÇÃO PARA CONTINUAR, DIA APÓS DIA, A
ENFRENTAR OS MESMOS PROBLEMAS CORRIQUEIROS, FAZER AS
MESMAS COISAS, PARA SUPORTAR AS MESMAS PESSOAS, ETC. ESSE ESGOTAMENTO PODE LEVAR A DEPRESSÃO?
Sim e vice-versa, ou seja, se a vida da pessoa já se tornou enfadonha, o convívio com a rotina ou com as pessoas já se tornou penoso, pode ser justamente porque já se encontra em estado depressivo e não se sente mais capaz de administrar todos estes componentes desgastantes.

E A DEPRESSÃO PODE LEVAR AO SUICÍDIO?
Sim. Nem tanto nos casos de depressão unipolar, mas principalmente no transtorno bipolar de personalidade, onde há a coragem para tal ato.

COMO É O DIAGNÓSTICO?
Poderia ser mais fácil se houvessem mais profissionais de psiquiatria disponíveis, principalmente na rede pública. Muitas vezes os sintomas depressivos levam a um diagnóstico assertivo, o que não garante que o tratamento também o será. Ainda há certa reserva entre os médicos, não especialistas em saúde mental, em fazerem uso de anti-depressivos, optam por ansiolíticos, que terão uma atuação mais limitada sobre o problema.

TEM CURA?
Sim e não. As que ocorrem por eventos traumáticos, por exemplo, tem muito maior probabilidade de cura, no entanto, as de origem endógena, estarão suscetíveis a novos eventos. É necessário estar atento as manifestações emocionais para sempre.

E O TRATAMENTO?
Em casos agudos: psicofármaco com tratamento terapêutico, ou, se o quadro estiver no princípio, ainda sem comprometimento funcional, a psicoterapia pode resolver.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SÍNDROME DE BURNOUT


Demorei a formalizar meus agradecimentos, mas faço-o agora: ao Sérgio Nigro da Rádio Piratininga de São José dos Campos, o meu muito obrigado! Por ter me recebido tão bem em seu programa e por seu convite tão oportuno. Espero que tenhamos novas oportunidades de discutirmos temas sobre saúde mental.

Entre algumas abordagens que discutimos neste dia da entrevista, acho que a mais interessante foi a “Síndrome de Burnout”. Poucas pessoas já ouviram falar e certamente muita gente já foi acometida por ela.

Burnout é um termo inventado que vem do inglês (to burn out), que significa queimar por completo, até o final, trata-se de um esgotamento físico e mental originários predominantemente do cenário profissional. Foi estudado originalmente por um psicanalista nova-iorquino chamado Herbert Freudenberg, na década de 70.

O diagnóstico é difícil porque os sintomas, que podem se apresentar de mais de 130 maneiras diferentes, se confundem com os de depressão, estafa, estresse, etc. E na verdade todos estes diagnósticos apresentam um conjunto de sintomas parecidos, no entanto, com causas de origem distintas.

Os sintomas mais comuns são: desejo de reclusão, sentimento de incapacidade, fadiga, ausência ou aumento de apetite, insônia ou hipersonia, entre outros.

Os candidatos em potencial para sofrer desta síndrome, são claro, os workaholics  (pessoas viciadas em trabalho).

As razões que levam uma pessoa a ser classificada como um workaholic não obedecem necessariamente um padrão, são razões diferentes que vai de uma pessoa para outra.

Vejamos algumas:
- ambição: dinheiro, status, subir na vida, projeção financeira;
- baixa auto estima: é necessário provar para si mesmo e para os outros do que e do quanto se é capaz. Não basta ser bom, é preciso ser o melhor!
- fuga: às vezes as questões que residem nos outros setores, como família, relacionamento, filhos, sexualidade, são tão complexas, que é mais fácil se esconder atrás de uma avalanche de trabalho, assim legitimamente não sobra tempo para mais nada;
- hereditariedade e hierarquia: heranças que mais parecem castigos. A família deixa um legado e uma marca e os herdeiros devem fazer jus a isto, ou seja, se o pai trabalhou até a morte, o filho deve fazer o mesmo para honrá-lo e superá-lo.

Enfim, são inúmeras e nem sempre evidentes, as razões, que levam um indivíduo a priorizar o trabalho em sua vida, acima até mesmo de seu próprio bem estar. No entanto, isto não passará despercebido pelo seu organismo, que num dado momento lhe apresentará a conta.

Deixando o grupo dos workaholics um pouco de lado, também teremos outros grupos que sofrerão com os mesmos sintomas. Quando o ambiente de trabalho torna-se hostil, difícil ou competitivo demais, ele passa a exigir do sujeito muito mais energia psíquica do que normalmente exigiria, e se este contexto se prolonga por muito tempo também haverá conseqüências.

O cérebro responde fielmente aos estímulos que recebe, ancestralmente ele foi programado para reagir em defesa do corpo, sempre. Portanto, se ele recebe uma mensagem de risco, vai preparar todo o organismo pra isto: aceleração cardíaca, aumento da adrenalina e da habilidade motriz, entre outros gatilhos.

No entanto, todo este movimento interno é para ser acionado eventualmente, mas se enviamos a mensagem de risco várias vezes por dia ao cérebro e ele promove toda esta maratona orgânica o tempo todo, uma hora vai dar pane, haverão conseqüências por “overdose de adrenalina”.

Enfim, o cenário profissional não pode representar uma montanha russa emocional, nem tão quanto simbolizar um sacrifício permanente.E para quem já está sofrendo da Síndrome o caminho é tratar os sintomas os mais rápido possível e reverter a origem da causa, ou seja, se o trabalho não puder representar um prazer, também não poderá ser um fardo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PROBLEMAS CONJUGAIS – TERAPIA DE CASAL

Tem crescido cada vez mais a procura de terapia, por casais que estão enfrentando dificuldades em encontrar soluções “imparciais”, para restabelecer o equilíbrio harmonioso da relação.

É sabido que a vida a dois, apesar de prazerosa e compensadora, não é necessariamente muito fácil. Diga-se de passagem, o ser humano é incapaz de viver em isolamento, mas também tem sérias dificuldades em relacionarem-se uns com os outros. Haja vista a própria relação entre pais/ filhos/ irmãos, por mais que os laços familiares sejam fortes, isto não impede corriqueiros desentendimentos. Com um casal não é diferente, ao contrário, pode ser ainda mais trabalhoso o convívio, e exigir das partes um investimento emocional ainda maior.

Existem alguns percalços subjetivos do casamento que vale a pena explorar:
- quando se está na fase do namoro, já é possível identificar no outro, certas características que desagradam ao parceiro(a), no entanto, não sei por que cargas d´água, as pessoas imaginam que o casamento é um santo remédio que tudo muda e cura. Quando que na verdade o que acontecerá é que tais características ficarão ainda mais em evidência.
- o casamento civil, religioso ou como relação estável, é recheado de rituais e símbolos que representam um conjunto de referências ocultas, que poderão influenciar sutilmente no comportamento do casal. Eu explico: a certidão de casamento nada mais é que um contrato com reconhecimento oficial, não é? E para que serve um contrato? Assegurar os direitos e deveres das partes. Concorda? Pois bem, alguns casais caem na armadilha, de através da oficialização da relação, passarem a se sentirem absolutamente seguros e respaldados pelo casamento, ainda com a idéia social obsoleta de que ele é insolúvel, e permitem-se poupar investimentos no relacionamento, na manutenção dos sentimentos, em buscar fazer jus a escolha do outro.

Se sentir parte de algo ou alguém é um benefício que a cumplicidade do casamento oferece, mas não se pode transformar isto em posse, sentir-se proprietário do outro, transformar o casamento em um cativeiro emocional onde só cabem duas pessoas. As alianças não são algemas.
Vivo dizendo e escrevendo que numa relação, individualidade é diferente de individualismo. A individualidade de cada um deve ser preservada e respeitada, o casamento não transforma duas pessoas em uma só, até a Física prova que isto é impossível. Já o individualismo não cabe numa relação, ele faz com que as necessidades do outro sejam ignoradas para prevalecer as de si mesmo.
- casamento não é garantia de felicidade, ao contrário, é investimento de risco. Não se iluda e não seja cruel a ponto de transferir a responsabilidade absoluta da sua felicidade para os ombros do outro, isto não é voto de confiança, é um cômodo castigo. É necessário cada um fazer a sua parte pelo outro, mas acima de tudo por si mesmo também.
- a confiança entre marido e mulher é como aqueles bichinhos virtuais que surgiram certa vez, que as crianças tinham que tratar com todo cuidado, senão o bichinho morria e o aparelhinho perdia a função.

O casamento não cria uma redoma opaca em torno dos dois, e também não bloqueia os sentidos das pessoas, ou seja, mulheres e homens bonitos e interessantes continuarão a fazer parte do mundo, Graças a Deus!
A sedução é ferramenta do exercício do poder, que todo indivíduo (sem exceção mesmo) nasce sedento. Mais calma aí! A sedução a que me refiro, é a que conquista o respeito e a admiração do outro e não o corpo.

Um abraço escrito no final de um e-mail pode não significar nada para quem escreve, mas pode sinalizar um flerte para um cônjuge desconfiado e curioso que lê. O foco absoluto da confiança deve estar no(a) parceiro(a), não poderá jamais estar no resto do mundo, ou esta pessoa se transformará numa séria candidata a loucura.
- o respeito é outro fator que se deve ter muito cuidado para não parecer com as “geleiras do Ártico”, que no “calor das emoções”, acaba-se por dissolver um pouquinho a cada dia, até ser tarde demais para recuperar e em pouco tempo já ter abalado a estrutura do ecossistema do casamento.

As pessoas devem estabelecer limites para si e para o outro também, devem falar sobre isto. Quando um dos dois estiver se aproximando do limite do outro é imprescindível ser avisado disto, um sinal de alerta que não pode ser ignorado.

As relações humanas são muito mais complexas do que a nossa vã filosofia e psicanálise podem explicar. Mas algumas diretrizes padrão não mudam nunca:
  • enxergue o(a) parceiro(a) como eterno namorado(a), que deve ser reconquistado a cada dia. Isto é amor.
  • a necessidade do exercício do poder de sedução de cada um nunca deve ser maior que a consideração pelo parceiro(a). Isto é fidelidade.
  • o cuidado com a integridade do outro deve ser preservado acima de qualquer rompante emocional. Isto é respeito.
  • o princípio ativo de uma fórmula de sucesso para a relação a dois é a generosidade; colocar-se no lugar do outro, ceder quando for possível ou necessário; não permitir que pequenos conflitos unam forças e tornem-se grandes problemas, as questões devem ser sanadas na medida em que vão surgindo, o risco da psicossoma pode ser incalculável. Isto é perseverança, é acreditar que vale a pena, sempre.

Os pilares de sustentação de um casamento ainda são: o amor, a fidelidade, o respeito e a perseverança.  

segunda-feira, 17 de maio de 2010

DEPRESSÃO

Acredito cada vez mais que esta sim é a doença do século. Ela chega sorrateira, vai se instalando devagarzinho, sem muito alarde e segue ganhando espaço cada vez mais, até por fim ter se apropriado do ânimo, do humor, da força, da alegria e de tudo mais.

Um dia é só uma preguiça de seguir a rotina, outro dia é vontade de ficar só, no dia seguinte um desejo de dormir sem pressa pra acordar, de preferência num quarto bem escurinho, e chega a vez da intolerância, da angústia sem fim, de como se tudo por dentro estivesse oco: de sentimentos, de entusiasmo, de vida.

Aí se tenta compreender de onde vem tanta tristeza, às vezes tem resposta: num drama, num passado, mas saber disto também não traz alívio algum. E na maioria das vezes, se quer razão de ser, tem.

E as pessoas não compreendem, a família pede reação de ânimo, parece que todo o mundo ao redor subestima a gravidade do abismo emocional que se formou, que para quem sofre parece a cada dia que passa, mais e mais intransponível.

Pois é, um quadro de depressão de moderado para grave, se parece bem com este cenário, junto com um sentimento de desesperança, uma falta de perspectiva de dias melhores, que é impressionante como é forte.

Contudo, para quem sofre, o importante é não perder de vista que se trata de uma doença, que não só tem tratamento, como também pode ter cura. Toda doença psicoemocional é de ordem abstrata, ou seja, não é como uma ferida aberta que pode ser vista a olho nu, portanto, pode ser confundida com ilusão, fantasia, melodrama, encenação, exagero, entre outras.

Apesar do quanto tem se falado e veiculado na mídia este assunto, ainda há muita falta de informação sobre depressão, distorção, sarcasmo, tabu.

E por falar em tabu, o primeiro que aparece é sobre procurar um médico psiquiatra. Aqui, pronto! Já se imagina saindo do consultório envolto a uma camisa de força, ou então, medicado com remédios que o fará prisioneiro para sempre e lhe promoverá um estado de alienação psíquica. Tabu, mito!

Poderão sim, ser administrados antidepressivos, que terão a função de lhe proporcionar “fôlego emocional”, inibir os sintomas, enquanto se ganha tempo para identificar e tratar a causa.

O que tem de verdade dentro deste mito, é que as pessoas se “encantam” com os efeitos dos remédios e acreditam que: estão completamente curadas e logo interrompem o tratamento ou então se acomodam ao seu uso e acreditam que poderão fazer uso deles para sempre, sem efeito colateral. Mito!

Alguns casos, de fato, se tornarão dependentes da medicação porque o organismo não é mais capaz de reagir sozinho, ou algumas patologias requerem, para seu controle, o uso contínuo dos remédios. O que não pode é quem ainda tem a autonomia de restabelecimento pegar carona nestes casos, só porque é mais fácil e rápido.

A depressão é como estar preso num filme de terror, mas na realidade, ela tem salvação!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

EQUÍVOCOS UNIVERSAIS


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Equívoco Universal é um termo inventado para representar eventos que ocorrem na vida das pessoas, que produzem conseqüências, mas que não foram premeditados por ninguém. É um termo sinônimo para coincidência, acaso, mal entendido, daí o “equívoco”, o “universal” para detalhar que as responsabilidades podem não estar apenas nas pessoas, mas também nas circunstâncias.

Um exemplo clássico: alguém se expressa mal, num momento de tensão, enquanto quem o ouve, alheio ao estado tenso de quem fala, e mergulhado em suas próprias questões, acata o que lhe foi dito como ofensa profunda, sem possibilidade de reflexão. Pronto, isto pode bastar para duas pessoas que se entendiam, ou se gostavam, ou que pertencem a uma mesma família, ou que foram parceiros toda uma vida, nunca mais restabelecerem a mesma relação, ou não mais se verem ou se falarem.

Isto é um equívoco do universo, um mal entendido que recebeu contribuições externas para se estabelecer, através de fatores aleatórios que determinaram um desfecho, que nenhuma das partes imaginou ou direcionou para que tivesse acontecido.

Aí entram outros ingredientes naturais para conturbar ainda mais a circunstância: a formação da personalidade de cada um, que pode ser recheada de orgulho, auto suficiência, vergonha, limitação para demonstrar emoções, ou seja, características (ao menos uma delas) até bastante comuns a grande maioria das pessoas.

Muitas vezes quando cometemos algum exagero de comportamento, alguma injustiça ou precipitação, bate uma tremenda preguiça de remediar, uma falta de vontade de rever nossos conceitos e nossas atitudes, que simplesmente travamos mediante o que deve ser feito. Então fica muito mais cômodo, inventar uma legitimidade para poder deixar pra lá, e permitir que aquela pessoa que já foi tão próxima, nunca mais se aproxime.

E como isto se deu? Do nada, de uma coincidência, do encontro do desabafo de alguém que já havia somatizado alguns sentimentos, com alguém que se encontrava em fragilidade emocional. Nada muito mais elaborado, só um mal entendido, um equívoco.

Este foi só um exemplo para ilustrar como se estabelece um equívoco universal, mas muitos outros eventos corriqueiros podem ser classificados da mesma forma. Em função do ritmo frenético que as pessoas vivem, sempre assoberbadas com suas responsabilidades e atribuições, estão cada vez mais expostas e propensas a se tornarem vítimas destes desencontros emocionais.

A evolução cultural e social deste século, também tem trazido grandes mudanças de comportamento entre as mais diversas sociedades, até as mais conservadoras. Por esta razão que os equívocos universais se repetem com tanta freqüência, há uma banalização das relações humanas, como se as pessoas ocupassem uma posição perfeitamente substituível na vida umas das outras, quando que na verdade cada um é ímpar no que é e no que tem a oferecer ao outro.

Enfim, qual é a moral da história? Se num conflito uma das partes não se reconhece como culpada, não significa necessariamente que a culpa esteja na outra parte, pode estar simplesmente nas circunstâncias.

quarta-feira, 17 de março de 2010

"MEDO"



Entrevista concedida, em 11/03/2010, a estudante de Jornalismo (Universidade do Vale do Paraíba), LUANA LAZARINI LOUREIRO.





LL) Até que ponto o medo é benéfico e quando ele passa a ser prejudicial?
LM) O medo é benéfico quando serve a seu propósito de existir: pôr o sujeito em alerta na eminência de qualquer risco, intensificar sua atenção frente aos perigos, do menor ao maior deles. E ele passa a ser prejudicial quando transcende este propósito, a ponto de interromper ou inibir o desenvolvimento da vida do indivíduo; quando o medo passa a ser maior que a capacidade de enfrentamento.



LL)Para que serve o medo?
LM) É importante ressaltar que o medo naturalmente faz parte da nossa estrutura psíquica e deve ser respeitado como um dos nossos mais importantes mecanismos de proteção e sobrevivência; ele tem como finalidade preservar a vida. Alguém com ausência absoluta de medo não é corajoso, é patológico. Um suicida potencial. 


LL) O que faz a pessoas sentirem medo?
LM) Há duas respostas para esta pergunta:
- o primeiro sentido está muito relacionado à características de ordem antropológica e social. Quero dizer com isto, que as razões preponderantes que remetiam as pessoas ao sentimento do medo há 20 anos atrás, não são as mesmas de hoje, que não serão as mesmas das próximas décadas, possivelmente. Numa análise atual, podemos responder que como fatores externos, temos: o desemprego, a violência urbana, o trânsito, a fome, etc; e como fatores internos: a solidão, a rejeição, a carência afetiva, entre outros. Tudo isto representa o que mais tem remetido as pessoas ao sentimento de medo.
- a segunda está relacionada às funções cerebrais: o medo é acionado mediante um estímulo que chegará até o sistema neurotransmissor, que por sua vez encaminhará a mensagem ao setor responsável por acionar o alerta do medo.

LL) Medo é diferente de fobia?
LM) Na verdade o medo patológico é um transtorno fóbico.
O CID-10 (Código Internacional de Doenças) já tem classificação para vários destes transtornos que tem como sintoma principal o medo, estão contemplados no Grupo F40.

LL) O que você poderia diagnosticar como desencadeador de uma fobia? E de onde surgem esses sintomas?
LM) A primeira pergunta é complexa porque requer uma resposta bastante abrangente. Pode ser de origem pós traumática ou de origem remota (algo ocorrido na infância), eventos psicossomáticos, violência, negligência afetiva, mudança drástica de rotina, muitos são os fatores que podem desencadear uma fobia, e isto está relacionado ao indivíduo e não à exposição dos fatos, ou seja, o mesmo fator que para uma determinada pessoa não teve nenhuma representatividade, para outra pode ter sido marcante.
Os sintomas podem ter relação direta com os fatores geradores (causas) ou não, e neste caso requer uma cuidadosa investigação retroativa.

LL) Numa visão geral, o fato de enfrentar o objeto da fobia diminui ou aumenta o medo?
LM) Há grande relatividade sobre o comportamento das pessoas, mesmo as que se classificam dentro de um mesmo quadro psíquico, mas a tendência é diminuir, pois se busca promover o enfrentamento e a dissolução da causa. É necessário ressaltar que esta resposta é simplista mediante ao processo real, que nem sempre é fácil ou rápido de ser concluído.

LL) No momento, você consegue analisar se as pessoas estão mais propensas a fobias?
LM) Sim, fatores como estresse, estafa, instabilidade econômica, concorrência, isolamento social, e muitos outros, contribuem bastante para o surgimento de patologias psicoemocionais. E em contra partida ainda não faz parte da nossa cultura estarmos atentos para os sintomas, ainda é comum negligenciar sentimentos como se não repercutissem no nosso equilíbrio.

LL) Existem casos de fóbicos em que as consequências dos seus medos foram extremas (suicídio, isolamento total, etc.)?
LM) Qualquer transtorno psíquico sem tratamento tende a se potencializar, no entanto, não há grande incidência de suicidas. Já os demais desdobramentos, sim: isolamento, improdutividade, desenvolvimento de outros transtornos, etc.

LL) Como perceber se alguém conhecido tem medo/fobia (sintomas)?
LM) Quando o medo deixar de ser uma característica secundária e passar a aparecer demais, impedindo o andamento normal da vida do sujeito. Inibindo sua capacidade de se mostrar feliz, privando-o de coisas ou eventos que outrora não ocorreria.

LL) Como a família pode ajudar no caso de uma pessoa com medo ou fobia?
LM) Não menosprezando seus sintomas, buscando a interpretação que não se trata de uma opção de comportamento, mas sim uma doença, respeitando, acolhendo, buscando tratamento adequado, não impondo o enfrentamento torturante.

LL) Qual o primeiro passo para o tratamento de doentes fóbicos (confrontação do medo, medicação, etc.)? Quais os tratamentos existentes ?
LM) Há casos que a confrontação com o medo pode ser muito radical e cabe ao profissional de saúde mental definir a melhor maneira de fazê-lo, se necessário for. Já a medicação pode ser bem vinda em casos acentuados/ definidos e pode contribuir para inibir os sintomas, enquanto se trata a causa. É importante ressaltar que o profissional apto indicado para medicamentar estes transtornos é o Psiquiatra.
Sobre os tratamentos: Psiquiatria aliada a Psicoterapia costuma apresentar bons resultados. Ambos disponíveis, inclusive, na rede pública.

LL) Quais são os principais tipos de medos? (generalizados, específicos).
LM) Os patológicos são:
- Agorafobia, Sociofobia, Pânico, entre outros.
Os de menor gravidade são:
- Medo de falar em público, de dirigir automóveis, de instabilidade econômica.

LL) Quais são os que mais atingem a população hoje?
LM) O Pânico e a Sociofobia; fora das classificações patológicas, também teremos o medo de falar em público. Se quando você formulou a pergunta te ocorreu: medo de baratas, medo de dirigir ou coisa parecida, está enganada. Com fundo patológico, gente tem medo de gente!

LL) Qual tipo de medo mais exótico que a sra. já tratou?
LM) Gente com medo de gente!

LL) Como podemos utilizar o medo como aliado para o sucesso?
LM) Enxergando o medo como cautela e prudência, transformando-o em ferramenta de cálculo do custo/ benefício de nossas atitudes.

LL) Na Administração, a tentativa e o erro fazem parte da aprendizagem. No entanto, pessoas e empresas vêem o erro como algo ruim. As pessoas têm medo de errar/ fracasso? (falar em público, por exemplo)
LM) Não aprendemos a errar, somos instruídos para sermos acertivos sempre. Logo, é certo que as pessoas temem o erro e quando acontecem, se possível for, o negam até a morte.
O método empírico que você cita, se aplica inclusive na criação de um filho. Não há fórmula ou receita, "as crianças em pleno século XXI, insistem em vir sem manual de instrução".
As empresas mais arrojadas, com metodologias revitalizadas, já estão mudando seus conceitos acerca disto, na verdade "errar" passa a contar menos, quando se tem atitude. Estão também preocupadas em como anda seu clima organizacional, porque já entenderam que isto reflete diretamente na produtividade das pessoas.

LL) Alguns pais criam filhos como campeões e os recriminam se eles erram. Eles devem ser os melhores, tirar as melhores notas, serem os melhores nos esportes, etc. Em que medida essa cobrança excessiva pode acarretar inseguranças e medos?
LM) Excelente questão! Respondo que na medida máxima!
Os pais agem desta forma por muitas razões, a melhor delas é pensando no melhor para seus filhos, acreditando que preparando-os para serem "os melhores", garantirão sua felicidade. Ilusão, equívoco. Somos humanos, e errar faz parte da nossa natureza: "errar é humano". Insistir nesta premissa é efeito contrário: criar filhos frustrados e incapazes. Ao invés disto deveriam ensinar seus filhos a encarar com naturalidade seus erros e identificar qual a melhor maneira de aprender com eles.
Outra razão, a pior delas: é que filhos representam inevitavelmente projeções de seus pais, ou seja, deverão ser o que os pais não foram, deverão conquistar o que os pais não foram capazes, ter a chance que não tiveram, deverão ser razão de orgulho e satisfação, etc. Com isto, promovem a miséria emocional de seus filhos, pensando exclusivamente em si mesmos, ou seja, querem provar que se tivessem tido as chances certas poderiam ter sido o que não foram. Esta é uma trama inconsciente, mas acontece com uma freqüência assustadora.

LL) A obsessão pode virar um medo?
LM) As obsessões podem virar muitas coisas, inclusive medo.