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Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
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Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

EQUÍVOCOS UNIVERSAIS


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Equívoco Universal é um termo inventado para representar eventos que ocorrem na vida das pessoas, que produzem conseqüências, mas que não foram premeditados por ninguém. É um termo sinônimo para coincidência, acaso, mal entendido, daí o “equívoco”, o “universal” para detalhar que as responsabilidades podem não estar apenas nas pessoas, mas também nas circunstâncias.

Um exemplo clássico: alguém se expressa mal, num momento de tensão, enquanto quem o ouve, alheio ao estado tenso de quem fala, e mergulhado em suas próprias questões, acata o que lhe foi dito como ofensa profunda, sem possibilidade de reflexão. Pronto, isto pode bastar para duas pessoas que se entendiam, ou se gostavam, ou que pertencem a uma mesma família, ou que foram parceiros toda uma vida, nunca mais restabelecerem a mesma relação, ou não mais se verem ou se falarem.

Isto é um equívoco do universo, um mal entendido que recebeu contribuições externas para se estabelecer, através de fatores aleatórios que determinaram um desfecho, que nenhuma das partes imaginou ou direcionou para que tivesse acontecido.

Aí entram outros ingredientes naturais para conturbar ainda mais a circunstância: a formação da personalidade de cada um, que pode ser recheada de orgulho, auto suficiência, vergonha, limitação para demonstrar emoções, ou seja, características (ao menos uma delas) até bastante comuns a grande maioria das pessoas.

Muitas vezes quando cometemos algum exagero de comportamento, alguma injustiça ou precipitação, bate uma tremenda preguiça de remediar, uma falta de vontade de rever nossos conceitos e nossas atitudes, que simplesmente travamos mediante o que deve ser feito. Então fica muito mais cômodo, inventar uma legitimidade para poder deixar pra lá, e permitir que aquela pessoa que já foi tão próxima, nunca mais se aproxime.

E como isto se deu? Do nada, de uma coincidência, do encontro do desabafo de alguém que já havia somatizado alguns sentimentos, com alguém que se encontrava em fragilidade emocional. Nada muito mais elaborado, só um mal entendido, um equívoco.

Este foi só um exemplo para ilustrar como se estabelece um equívoco universal, mas muitos outros eventos corriqueiros podem ser classificados da mesma forma. Em função do ritmo frenético que as pessoas vivem, sempre assoberbadas com suas responsabilidades e atribuições, estão cada vez mais expostas e propensas a se tornarem vítimas destes desencontros emocionais.

A evolução cultural e social deste século, também tem trazido grandes mudanças de comportamento entre as mais diversas sociedades, até as mais conservadoras. Por esta razão que os equívocos universais se repetem com tanta freqüência, há uma banalização das relações humanas, como se as pessoas ocupassem uma posição perfeitamente substituível na vida umas das outras, quando que na verdade cada um é ímpar no que é e no que tem a oferecer ao outro.

Enfim, qual é a moral da história? Se num conflito uma das partes não se reconhece como culpada, não significa necessariamente que a culpa esteja na outra parte, pode estar simplesmente nas circunstâncias.

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