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Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

PROBLEMAS CONJUGAIS – TERAPIA DE CASAL

Tem crescido cada vez mais a procura de terapia, por casais que estão enfrentando dificuldades em encontrar soluções “imparciais”, para restabelecer o equilíbrio harmonioso da relação.

É sabido que a vida a dois, apesar de prazerosa e compensadora, não é necessariamente muito fácil. Diga-se de passagem, o ser humano é incapaz de viver em isolamento, mas também tem sérias dificuldades em relacionarem-se uns com os outros. Haja vista a própria relação entre pais/ filhos/ irmãos, por mais que os laços familiares sejam fortes, isto não impede corriqueiros desentendimentos. Com um casal não é diferente, ao contrário, pode ser ainda mais trabalhoso o convívio, e exigir das partes um investimento emocional ainda maior.

Existem alguns percalços subjetivos do casamento que vale a pena explorar:
- quando se está na fase do namoro, já é possível identificar no outro, certas características que desagradam ao parceiro(a), no entanto, não sei por que cargas d´água, as pessoas imaginam que o casamento é um santo remédio que tudo muda e cura. Quando que na verdade o que acontecerá é que tais características ficarão ainda mais em evidência.
- o casamento civil, religioso ou como relação estável, é recheado de rituais e símbolos que representam um conjunto de referências ocultas, que poderão influenciar sutilmente no comportamento do casal. Eu explico: a certidão de casamento nada mais é que um contrato com reconhecimento oficial, não é? E para que serve um contrato? Assegurar os direitos e deveres das partes. Concorda? Pois bem, alguns casais caem na armadilha, de através da oficialização da relação, passarem a se sentirem absolutamente seguros e respaldados pelo casamento, ainda com a idéia social obsoleta de que ele é insolúvel, e permitem-se poupar investimentos no relacionamento, na manutenção dos sentimentos, em buscar fazer jus a escolha do outro.

Se sentir parte de algo ou alguém é um benefício que a cumplicidade do casamento oferece, mas não se pode transformar isto em posse, sentir-se proprietário do outro, transformar o casamento em um cativeiro emocional onde só cabem duas pessoas. As alianças não são algemas.
Vivo dizendo e escrevendo que numa relação, individualidade é diferente de individualismo. A individualidade de cada um deve ser preservada e respeitada, o casamento não transforma duas pessoas em uma só, até a Física prova que isto é impossível. Já o individualismo não cabe numa relação, ele faz com que as necessidades do outro sejam ignoradas para prevalecer as de si mesmo.
- casamento não é garantia de felicidade, ao contrário, é investimento de risco. Não se iluda e não seja cruel a ponto de transferir a responsabilidade absoluta da sua felicidade para os ombros do outro, isto não é voto de confiança, é um cômodo castigo. É necessário cada um fazer a sua parte pelo outro, mas acima de tudo por si mesmo também.
- a confiança entre marido e mulher é como aqueles bichinhos virtuais que surgiram certa vez, que as crianças tinham que tratar com todo cuidado, senão o bichinho morria e o aparelhinho perdia a função.

O casamento não cria uma redoma opaca em torno dos dois, e também não bloqueia os sentidos das pessoas, ou seja, mulheres e homens bonitos e interessantes continuarão a fazer parte do mundo, Graças a Deus!
A sedução é ferramenta do exercício do poder, que todo indivíduo (sem exceção mesmo) nasce sedento. Mais calma aí! A sedução a que me refiro, é a que conquista o respeito e a admiração do outro e não o corpo.

Um abraço escrito no final de um e-mail pode não significar nada para quem escreve, mas pode sinalizar um flerte para um cônjuge desconfiado e curioso que lê. O foco absoluto da confiança deve estar no(a) parceiro(a), não poderá jamais estar no resto do mundo, ou esta pessoa se transformará numa séria candidata a loucura.
- o respeito é outro fator que se deve ter muito cuidado para não parecer com as “geleiras do Ártico”, que no “calor das emoções”, acaba-se por dissolver um pouquinho a cada dia, até ser tarde demais para recuperar e em pouco tempo já ter abalado a estrutura do ecossistema do casamento.

As pessoas devem estabelecer limites para si e para o outro também, devem falar sobre isto. Quando um dos dois estiver se aproximando do limite do outro é imprescindível ser avisado disto, um sinal de alerta que não pode ser ignorado.

As relações humanas são muito mais complexas do que a nossa vã filosofia e psicanálise podem explicar. Mas algumas diretrizes padrão não mudam nunca:
  • enxergue o(a) parceiro(a) como eterno namorado(a), que deve ser reconquistado a cada dia. Isto é amor.
  • a necessidade do exercício do poder de sedução de cada um nunca deve ser maior que a consideração pelo parceiro(a). Isto é fidelidade.
  • o cuidado com a integridade do outro deve ser preservado acima de qualquer rompante emocional. Isto é respeito.
  • o princípio ativo de uma fórmula de sucesso para a relação a dois é a generosidade; colocar-se no lugar do outro, ceder quando for possível ou necessário; não permitir que pequenos conflitos unam forças e tornem-se grandes problemas, as questões devem ser sanadas na medida em que vão surgindo, o risco da psicossoma pode ser incalculável. Isto é perseverança, é acreditar que vale a pena, sempre.

Os pilares de sustentação de um casamento ainda são: o amor, a fidelidade, o respeito e a perseverança.  

4 comentários:

sergio disse...

querioa saber sobre rompantes de raiva

Psicanalista/ Psicoterapeuta disse...

Oi Sérgio!
Desculpe-me a demora na resposta, mas eu estava em férias e gostaria de poder responder-lhe com calma, e também tive a oportunidade de rever os erros do meu texto publicado sem revisão.
Então, você pergunta sobre rompantes de raiva... precisaria saber um pouco mais a que você se refere e em qual contexto tais rompantes acontece.
Superficialmente e o mais comum, é o que menciono no final do artigo: pequenos conflitos que vão acontecendo, não são tratados como se deveria, vão se somando a outros e sem se dar conta, tornou um emaranhado emocional com uma grande proporção, que vem a tona às vezes por razões insignificantes.
Outra possibilidade, e agora de ordem patológica, mas que também diz respeito a rompantes emocionais, é um sintoma do transtrono bipolar de personalidade. Sendo esta possibilidade mais grave que a primeira.
Espero que tenha podido ser útil, mesmo não conseguindo ser mais específica.

Diana Dahre disse...

Parabens pelo seu blog.
Gostei muito. Linguagem clara e objetiva.

Psicanalista/ Psicoterapeuta disse...

Obrigada Diana!
Volte sempre, é bem vinda!