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enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

COMO LIDAR COM PESSOAS MANIPULADORAS?



Puxa! Novamente devo agradecer o convite das meninas da TV BandVale, do Programa "falando nisso...", a Nathália e a Solange e a Produtora Naiara, acho que fizemos um bom programa, com participações interessantes.

Segue abaixo o artigo sobre o tema que foi discutido no programa. 

A necessidade de poder é intrínseca no ser humano, e para algumas pessoas que tem esta característica mais acentuada na personalidade, é bastante comum enxergar o outro, como ferramenta para efetivação dos seus desejos, ou seja, são pessoas manipuladoras buscando as manipuláveis.

Para alguns é tão importante a satisfação absoluta de suas necessidades, que passa a ser secundário se o outro servirá de objeto ou instrumento para uma conquista maior. É como algo absolutamente natural, e de certa forma justificável, mas não inocente ou inconsciente.

Existem várias formas de manipulação, mas todas elas cabem numa divisão em duas categorias: as implícitas ou veladas e as explícitas.

Quando falamos de alguém manipulador, não estamos tratando, necessariamente de ninguém tirano, ao contrário, um dos artifícios da manipulação velada é justamente através da bondade e solicitude. Eu explico melhor:

- alguém que se esforça por atender as necessidades de todos, que se põe sempre disponível e solícito, minimamente também espera o mesmo dos seus, mesmo que esta expectativa não seja verbalizada, fica apenas uma representação subjetiva. Mesmo a opção do sacrifício sendo dela, “veladamente” veladamente fica imposta a mesma disposição aos outros. Não se trata de uma trama maquiavélica de comportamento do “falso bondoso”, mesmo sendo através de atitudes involuntárias, a dinâmica se configura por si só desta maneira.

Outro artifício manipulador é o dinheiro, que não tem nada de velado. Dependendo do quanto nos sentimos suscetíveis a ceder a ele, é um forte mecanismo de manipulação explícita e imediata.

O sentimento transformado em veículo de conquista, é um dos mecanismos mais comuns de manipulação: a chantagem emocional. Para que ela se estabeleça com sucesso pelo manipulador, é necessário ter os dois papéis ocupados: o da vítima e o do vilão, ou seja, “eu (opressor) sou a vítima (conforme o enredo da chantagem) e você, se não ceder ao meu desejo, ocupará inevitavelmente o papel do vilão”. Simples assim.

O feminino em especial é campeão das manipulações veladas, enquanto que o masculino, quando possue o perfil manipulador, costuma optar pelo modelo menos elaborado e mais comum: a manipulação explícita e normalmente tirana.




O ego de cada um se envaidece cada vez que lhe é possível experimentar o exercício do poder sobre o outro, isto não é variável e nem relativo, todos nós respondemos da mesma forma a este estímulo, mesmo que queiramos sublimar faz parte da estrutura psíquica do sujeito, todas as abordagens teóricas acerca da base das necessidades humanas, contemplam o poder. Ter seus desejos atendidos através da complacência do outro, nos faz não só nos sentirmos atendidos, como consequentemente queridos.

Pode parecer perturbador e sórdido, mas muitas manifestações de afeto e carisma também são instintos manipuladores incondicionais. A própria simpatia gratuita, aprendemos desde cedo que nos traz facilidades.

Exemplos bastante clássicos da necessidade involuntária e velada de manipulação estão na ordem familiar, normalmente praticada por pai e mãe. Há uma defesa de que o amor de mãe é absolutamente e geneticamente incondicional, mas se colocamos uma lupa analítica nesta questão, veremos que não é bem assim. A mãe ama seu filho e amará mais ainda se ele conduzir seu comportamento conforme o desejo dela, ela demonstrará ainda mais satisfação com ele se as suas opiniões forem aceitas e aplicadas em sua vida. Enfim, isto pode ser feito de maneira branda e natural, mas não muda a premissa do comportamento.

O ambiente de trabalho também é um local bastante interessante onde encontramos com freqüência as duas categorias de manipulação. Sempre haverão os dois perfis de comportamento: os mais expansivos e os menos expressivos, o primeiros buscará conduzir o segundo conforme suas necessidades.

Enfim, o importante a ressaltar é que o manipulador aposta sempre em obediência cega, em conquistar seus objetivos sem muita contestação, no entanto, se ele encontra resistência, ou alguém que se mostra tão ou mais convicto do que ele, este ciclo de manipulação não se concretiza e, aos poucos  ele tende a não se repetir. E o contrário também acontece, se o manipulador encontra facilidades em conduzir pessoas ou circunstâncias, ele se sentirá confiante em repetir este padrão de comportamento sempre.