BEM VINDO!

Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

TRANSTORNO COMPULSIVO POR COMPRAS (CONSUMISMO)


(ENTREVISTA NO PROGRAMA SABOR DE VIDA - DIA 14/02/2011 - TV APARECIDA)


Quando nos referimos ao consumismo da ordem patológica, trata-se da compulsão por compras, por adquirir produtos, bens, serviços ou qualquer coisa que represente a autonomia do consumo.

Por que uma pessoa desenvolve a necessidade da compulsão por comprar?

A resposta é ampla, mas não é difícil. Um dos eventos que leva ao consumismo é o mesmo que leva ao transtorno (por excesso) alimentar, ou seja, a ausência de prazer ou baixa auto estima. “Presentear-se” é algo que oferece prazer e aumenta, mesmo que ilusoriamente a auto estima.

Outro evento, é a necessidade do exercício do poder, e comprar é poder. Entrar num ambiente de comércio, escolher, pagar e levar, é não só experimentar o poder como a liberdade também, mesmo que de uma forma equivocada e momentânea.

E o terceiro evento, mas não menos importante, é a armadilha das “promoções/ liquidações”. A incrível sensação de estar (ilusória, ilusória e mega ilusória) “se dando bem”, de “ter tirado a sorte grande por encontrar produtos tão providenciais por uma bagatela de dinheiro”. Passa a não importar se o produto é necessário naquele momento, “um dia ele será”; se a roupa é o tamanho correto ou não, a costureira ajusta tudo, mesmo que o custo do conserto saia maior do que o da compra; se o sapato é um número maior, não tem problema, põe um algodão na ponta; e assim vai, tudo justifica a aquisição naquele momento, afinal, trata-se de uma oportunidade imperdível. É assim que o consumista encara uma liquidação.

Mas, depois de uma maratona de compras em incontáveis lojas em liquidações, como explicar tudo em casa, sem sofrer retaliações da família? Nada que o porta-malas do carro não resolva e aos poucos vai se fazendo a transição entre carro e guarda-roupa, aos poucos, em surdina, sem muito alarde. Ou então a casa da amiga que serve de guarda volumes.

Agora não há tema mais atual que as tais compras coletivas pela internet. Uau! Que armadilha perfeita para o consumista cair. Seguindo as mesmas premissas que acabei de explicar, e a sensação de grande oportunidade, compra-se o que sequer tem noção do que seja ao certo, às vezes o cupom de desconto da compra nem mesmo chega a ser emitido, ou seja, o desejo era a execução da compra, não necessariamente usufruir dela. Parece absurdo não é? Mais não é absurdo, é doença, que precisa de tolerância e tratamento.

Também não é incomum encontrar o consumismo impulsionado por recalque, a famigerada inveja. A danada comparação com o vizinho do carro novo, com a amiga elegante, com os amiguinhos dos filhos que usam tal grife, e por aí a fora...

Vai dizer que não conhece absolutamente ninguém com estes sintomas? Pense bem.
Se conhecer, não julgue, não proíba, não coíba, não ridicularize porque nada disso resolve, mas a tolerância e a conscientização que isto representa uma fragilidade psicoemocional, que requer tratamento e tem cura, isto sim pode ajudar.

Se você se encaixa nos sintomas e ainda assim se recusa a procurar ajuda, a cada compulsão, se questione: “o quanto isso é essencial para minha vida neste momento, posso sobreviver sem esta compra por alguns dias, semanas ou meses”? E antes que você mesma se sabote afirmando que jamais encontrará outra oportunidade igual a essa, eu já adianto que encontrará sim, e até melhores; ou então, antes que pense que se você vetar todas as compras corre o risco de passar a andar mal vestida ou fora da moda, se a sua aparência é importante para você, então este risco você não corre, use a sua imaginação ao invés do cartão de crédito, pode lhe dar tanto prazer quanto a compra.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

AS PESSOAS E OS COMPLEXOS



Não é nada difícil identificarmos ou conhecermos alguém que sofre de algum tipo de complexo, às vezes de ordem estética, intelectual, financeira ou emocional.

A palavra em si começou a ser usada com finalidades psicológicas por Carl Gustav Jung, e o seu objetivo era denominar um conjunto de sintomas (reflexos comportamentais) que juntos levavam ao desenvolvimento de outros sintomas.

O fato é que a grande maioria dos casos, os complexos não possuem fundamento real, ou seja, não são de origem externa ou fruto de alguma espécie de discriminação, mas sim de origem interna, de forma que o que deve ser tratado não é a aceitação de uma condição, mas sim a elaboração da questão sobre si mesmo.

De forma sucinta, é possível explicar que a constituição psíquica do sujeito,
se divide em ego, superego e id, o ego é que somos e o superego é a idealização do ego, ou seja, o que se deseja ser. Quando há uma distância muito grande entre estas duas partes, ou seja, uma diminuição expressiva do ego com relação ao superego, o que fica é um sentimento (complexo) de inferioridade aparentemente inexplicável.

Naturalmente já somos propensos a ir atrás de uma culpa ou uma frustração, ou seja, nosso estado emocional é oscilante mesmo que nada ocorra pra isso.

Algumas pessoas desenvolvem o que Freud chamou de “fantasias persecutórias”. Sabe aquelas pessoas que tem “mania” de achar que tudo é com elas, que o cumprimento do padeiro é menos entusiasmado com ela, que o professor a persegue por nada, que todos no departamento são promovidos menos ela? Enfim, a fantasia persecutória é uma espécie de complexo.

O complexo de inferioridade é o que mais aparece no consultório, de maneira sorrateira ele se instala e traz repercussões para a vida do sujeito, que nem ele mesmo se dá conta. Não é difícil conhecermos alguém que parece estar se defendo do mundo o tempo todo, aquela pessoa que antes da eminência de qualquer ameaça já está reagindo e atacando. Para um inconsciente “complexado”, que teme a rejeição, nada mais natural que rejeitar primeiro.

Seja de ordem interna ou ordem externa, ou seja, um rosto marcado por acne, pernas muito finas, sobrepeso na adolescência, enfim, seja qual for a razão do complexo, a premissa será sempre a mesma: o sujeito sentir-se impedido ou rejeitado em fazer parte de um coletivo; sentir-se suficientemente diferente, para não se admitir pertencente a nenhum grupo.

A solução para esta trama analítica é dissolver o complexo, é a conscientização de que apesar de sermos seres que necessitam da coletividade social, somos absolutamente todos diferentes. Da impressão digital aos detalhes de personalidade, somos todos definitivamente distintos uns dos outros. E muitas vezes a nossa necessidade de aceitação, vem em primeira
instância da nossa própria carência afetiva oscilante e não propriamente da rejeição social.

Cada caso é um caso, e cada complexo certamente terá sua história e seu trajeto de volta para ser elaborado e digerido, o importante a saber é que eles não fazem parte da vida psíquica de ninguém, portanto, não é solução habituar-se ou adaptar-se a eles. Ninguém merece compartilhar sua vida com um ou mais complexos, livre-se deles!