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emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

DIA DAS MÃES



Ontem foi Dia das Mães. Minha opinião sobre a comemoração desta data oscila bastante, ora penso que é o absurdo da fomentação comercial, ora penso que o ser humano é por natureza relapso com as suas considerações de reconhecimento e gratidão, então se for necessária a invenção de uma data para que isso ocorra, que haja.
Alguns fatos me chamaram a atenção e me instigaram a compartilhar meu ponto de vista. 

Recebi várias mensagens de saudações, retribuí a todas com satisfação, até que uma me chamou a atenção, era de uma conhecida que colocou no e-mail algo que remetia para interpretar que finalmente ela se sentia apta a desejar um feliz dias das mães sem sentir recalque nenhum por isso, porque agora ela era mãe.

Aí fiquei pensando o quão equivocado pode ser o desejo da maternidade, um filho não é e não pode ser nunca objeto de realização pessoal de ninguém. É muita responsabilidade e também muito injusto para uma criança nascer para atender o projeto de vida de alguém.

Filho não cura doença, não salva casamento, não muda personalidade, não é recurso financeiro e não faz mágica na vida de ninguém. E se alguma coisa disso ou tudo isso acontecer, ótimo, pode ser tratado como consequência, mas não podemos gerar um filho tendo traçado alguma coisa assim como objetivo.
Gerar um filho é bom, parir um é bom também, mas a grande experiência da maternidade é o que vem depois disso: criar, amar, ensinar, aprender, apostar, confiar, defender, amparar, disciplinar. Todo esse investimento é que representa a grandeza da maternidade, não é exibir barriga crescendo e fazer parto cesariana (nada contra cesariana, bem como nada a favor).

E criar um filho é investimento sem garantia ou espera de retorno. Acontece através do método empírico, aquele que é por tentativa e erro, tentamos acertar, erramos, depois acertamos e assim segue. Não tem como fazer a opção de ter um filho e pensar em apresentar-lhe a conta lá na frente. O investimento é seu! Ele corresponderá por consequência, não por obrigação.

É cuidar, ensinar, proteger, tendo em mente que se tratará de um indivíduo independente um dia, com desejos próprios, que podem ou não (quase sempre não) corresponder aos seus. E você não poderá cobrá-lo de sua parte no acordo, porque não há acordo, o que há é uma proposta de alguém que julga ser capaz de oferecer algo construtivo a outro ser, e que através dele o mundo poderá experimentar ser um pouquinho melhor, se assim ele desejar.

E acredite: isso não é altruísmo. É uma manobra egóica disfarçada que se manifesta na pele de cordeiro. Sentimos prazer e satisfação ao vermos nossos filhos lindos, educados, recebendo seus diplomas desde o jardim de infância, depois se desenvolvendo de forma saudável e promissora. Nosso orgulho (que vem do “útero do ego”) vibra!

Não estou desmerecendo o amor de mãe, afinal sou mãe. Estou apenas dizendo para não nos iludirmos e nem nos envaidecermos com a maternidade. Ela é linda sim! Mas sua beleza não está num barrigão; não está em cumprir uma “sentença social”: que toda mulher nasce para ser mãe; não está nas projeções que fazemos sob uma vida que não nos pertence. Está na capacidade de doação, de investimento de amor.

Feliz a mãe que ama, só pelo fato de se ver mãe dentro das quatro paredes do seu coração, sem passar pelo holofote da vaidade.


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