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Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
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- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

H1N1


Faz tempo que não escrevo e resolvi escrever não um artigo ou sobre alguma psicopatologia nova, mas para compartilhar um evento pessoal.

Eu tiro em média 20 dias de férias por ano, divididos em 5 dias em julho e 15 dias em dezembro.  Não é muito não é? Enfim, nestas férias de julho fui acometida pela tal H1N1. Já na sexta-feira (dia 20), último dia trabalhado já não estava me sentindo bem, com uma forte crise alérgica, o que me obrigou a tomar uma grande quantidade de anti-histamínico, que baixou minha imunidade e propiciou posteriormente contrair essa gripezinha.

Hoje eu já sei que com a descoberta precoce e com o  tratamento correto, não oferece grande perigo.

Mais essa história toda, além de mudar todos os meus planos de férias, inclusive de viagem, me deixar de molho, o que de certa forma foi bom, porque pude ler meus livros, navegar e escrever sem dor na consciência por não estar dando atenção para as crianças, marido, casa, cachorro, me expos a vários sentimentos e situações inusitadas que eu gostaria de compartilhar.

Primeiro, tamanha a insistência da minha secretária do lar em que a minha crise estava incomum e que eu deveria procurar um médico, lá fui eu, ou melhor: nós, arrastei meu filho mais velho comigo, afinal fazer coisa  chata acompanhada fica” menos pior”.

Chegando no Pronto Socorro, fui espantosamente bem atendida, e faço questão de mencionar o nome da médica, Dra. Carina Patrícia Campos, aproveito para agradecer imensamente sua preocupação e atenção comigo. Depois é que fui descobrir que ela é Clínica Médica e também Geriatra. Acho que de agora em diante, só vou querer me consultar com Geriatras.

Bem, quando eu expliquei os meus sintomas e ela fez o exame clínico, pediu radiografias do pulmão. Na hora da avaliação dos resultados, eu toda engraçadinha, e até aquele momento, de verdade nada preocupada, disse:
- E então Dra.,  tá bonito, não deu nada, posso embora não é?
E veio a resposta séria:
- Não tem nada bonito não, estou preocupada, há infiltração espalhada nos dois pulmões.

Azedou! Fechei a cara e também fiquei preocupada. A falta de informação nos faz pensar numa porção de coisas ruins e desnecessárias. Aí o processo era medicar na hora para inibir o principal sintoma, que era uma tosse agressiva, depois fazer novos exames (de sangue) para constatar o vírus.

Quando foram aplicar a medicação: primeiro foi a retirada de sangue e depois a aplicação da medicação Agora uma dica: quando eu fui tomar medicação (Dipirona com Decadron), começou a doer pra valer, e eu fiquei firme, vou posar de valente, ficar reclamando de dorzinha não é minha cara. Estúpida! A veia havia escapado da agulha e a medicação estava fora. Portanto, aprendi a não bancar a valente burro(a).

Bem, passada a parte do soro e remédios, eu precisava ir embora, pois já estava lá a quase duas horas e o resultado do exame não ficaria pronto no mesmo dia.

Aí vem as informações que só quem passa por isso é que fica sabendo: para ser liberada, precisa responder um questionário para a Vigilância Sanitária com o objetivo de controle epidemiológico, por fim, não foi necessário eu concluir o preenchimento sem esperar pelo resultado do exame de sangue.

Em seguida vem o problema da medicação específica para H1N1, já que a Dra. Carina não estava propensa a me liberar sem a medicação. Não disse que ela era ótima! O tal Tamiflu, não é comercializado, a Presidenta proibiu a venda em farmácias e agora é oferecido somente por órgãos públicos. Justamente para que o Governo possa manter o controle de uma possível epidemia. 

Já eram por volta de 19h, os postos de saúde já estavam fechados e nós conseguimos um encaminhamento para retirada da medicação. Surpreendentemente chegando no Hospital Público também fui super bem atendida. A moça da farmácia não me pareceu muito certa do juízo, mas nem por isso menos atenciosa. Em função de me ter sido fácil a aquisição da medicação e em função disso me senti mais segura e respeitada nos meus direitos, me faltam argumentos para recriminar a decisão da Dilma.

Agora vamos ao efeito emocional dessa zorra toda: começa por ter que sair  do Pronto Socorro de máscara e aí as pessoas já te olham com estranheza de quem veem um Alien perigoso. Entrei no carro rapidinho e subi os vidros, aí chegando em casa tem que explicar tudo para a família e até para quem não é da família. Essa parte é um saco! Você descobre que tem gente sem noção em todo lugar e nas horas mais improváveis, prontas para superestimar e sensacionalizar (acabei de inventar este verbo, ele não existe ok?) o problema. Isso é irritante!

Depois você explica a família, e intimamente, nutre a esperança singularmente humana de que irão se importar, manifestar preocupação e apreço pela sua vida. Mas atenção! Todas essas manifestações, precisam vir no formato que você espera, senão vem carência e frustação na certa! E, não veio, lógico!

Como é engraçado o quanto a gente vive a espreita de uma desculpa, uma justificativa qualquer para arrancar dos nossos eleitos, sempre mais atenção e afetividade. Somos sanguessugas insaciáveis e carentes de amor.

Eu deveria estar preocupada em usar da melhor forma possível o meu dia de restabelecimento, mas na verdade ele já começou chato ao descobrir que o meu marido não se preocupou com o meu café da manhã. Tá bom, agora que já são 16h eu já acho graça na história, mas 11h da manhã não tinha nenhuma.

Quando se está doente por alguma razão você quer se sentir especial, cuidado, amado. Alguns até “aproveitam” estas circunstâncias para depositar toda a sua carência afetiva nestes episódios. Isso é natural, apesar de nem todos os médicos estarem aptos a lidar com isso. Mas não podemos exagerar na dose, não é?