BEM VINDO!

Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

NARCISISMO NAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS

Uma mocinha (imagino eu) muito simpática, chamada Andressa, entrou em contato comigo por e-mail, pedindo que se possível lhe escrevesse algo sobre “Narcisismo nas Relações Profissionais”. Achei o tema bem pertinente, a última vez que escrevi sobre o Narcisismo foi um artigo técnico, que hoje ao lê-lo até eu mesma senti dificuldades em entendê-lo e encontrar nexo.


Antes de colocar o perfil diagnóstico do Narcisista num cenário profissional, vamos definir o que seria isso. Narciso é figura da mitologia grega que passou a vida a contemplar sua própria beleza e morreu em função dessa contemplação.

A Psicanálise emprestou o tema, sendo usado por Freud pela primeira vez em 1910, para ilustrar a personalidade de quem tem, não só sua autoimagem, mas principalmente todo o seu ser, auto exaltado, enaltecido por si próprio. Trata-se de que o principal investimento de interesse e apreciação acontece em torno preponderantemente do seu próprio Ego.

O narcisista acredita seriamente que as atenções do mundo devem estar voltadas para ele, os principais fatos que acontecem ao seu redor, estão todos relacionados a ele, e por fim, que a maior contribuição que ele poderia ter dado ao mundo foi ter nascido; essa última foi sarcástica, mas não duvidosa.

Esse tipo de personalidade não nasce simplesmente formada, acredita-se que acaba sendo fruto de investimento emocional desmedido na infância, como por exemplo: a adoração sem limites da mãe ao filho ou de uma predileção forte ente os irmãos; ou então o contrário disso: experimentou desde muito cedo a rejeição e o não reconhecimento, transformando-se em própria fonte de admiração. Enfim, podem ser vários os fatores contribuintes para a formação desta personalidade, o fato é que ele acredita não só diferente do resto da humanidade, mas também melhor que eles.

O Narcisista no cenário profissional pode se manifestar de várias maneiras, mas em todas elas será trabalhoso e penoso lidar com ele. Vamos desmembrar algumas possibilidades:
- se ele é acompanhado de senso moral, ele buscará através de meios lícitos o seu destaque; ciará algumas inimizades, sofrerá com isso, mas dificilmente conseguirá mudar seu padrão de comportamento. Isso porque “os confetes” são o alimento do Ego do Narcisista;
- se for o contrário, e não menos comum, e ele for desprovido de ética ou pudor, conduzirá suas atitudes de forma ardilosa e meio sem noção para alcançar seus objetivos. Este perfil tende a estar ainda mais em evidência porque facilmente desperta o amor e o ódio dos parceiros;
- em linhas gerais, pode ser esforçado, no entanto, com dificuldades em trabalhar em grupo, porque isso significaria dividir ou louros; numa confraternização a piada mais engraçada precisa ser dele; assim como o destaque de mais inteligente, mais bonito, mais popular, mais, mais, mais...

Contudo, note que o Narcisista não é nenhum psicótico, ele sofre com sua condição, quando se sente menosprezado ou não reconhecido como acha que deveria; normalmente sofre de solidão e incompreensão, porque acredita e sente ser único; sua vida costuma dar muito mais trabalho que os demais perfis, pois ele precisa ocupar o lugar de destaque sempre.

Rivaliza com facilidade com os parceiros, está sempre em busca de ascensão, não por ambição, mas por holofotes. Normalmente os encontraremos ocupando lugares de poder e destaque; são previsíveis por serem regidos pela demanda egóica.

Se por ventura tiver um chefe Narcisista nunca chegue com uma ideia melhor que a dele, e se chegar, faça-o acreditar que partiu dele, que dará mais certo.

No mais, são pessoas comuns, que podem ser dóceis e amigáveis como qualquer outra, apenas com uma demanda um pouco diferente dos demais. Se todos nós precisamos de massagem no Ego para nossa autoestima estar em alta, o Narcisista precisa muito mais, e em alguns casos acentuados transformam suas vidas num verdadeiro cativeiro.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TRANSTORNOS ALIMENTARES E DIETAS

É certo que é redundante escrever sobre a ditadura da beleza que configura e parametriza, sobretudo as mulheres, o quanto elas devem pesar ou a definição da sua aparência, como: cumprimento ideal de cabelo, cor dos fios, corte, roupas, sapatos, etc. Mas ainda assim há tanto o que debater sobre o assunto, porque ainda há instituído um cativeiro tão severo em torno deste tema. 


Veja bem, nós não priorizamos a qualidade de vida ou a saúde, priorizamos os critérios de aparência e beleza, ignorando totalmente que correspondemos a biótipos diferentes, dos quais não correspondem necessariamente a magreza.

É uma luta incessante contra a balança, se submetendo a um conjunto de árduas privações, monitorando dia a dia se há conquistas a serem celebradas e estas demoram a aparecer, quando aparecem.

Corpo saudável é aquele que se condiciona a se alimentar bem e direito, inclusive com concessões de prazeres e vontades, não através de fome e desejos vetados o tempo todo e quando se autorizam, arrebentam de comer só o que nos remete ao prazer gastronômico.

Desde cedo estabelecemos nossas fontes de prazer que nos guiarão para sempre para nos proporcionar agrados e compensações. Fazemos isso erroneamente com a comida. Este mecanismo equivocado substitui, apenas enganosamente, um abraço, um elogio, um reconhecimento, uma atenção não recebida.

O centro das nossas emoções funciona como um contador e cria um balanço que se divide entre ativo e passivo emocional. Quando nos submetemos a privações ou sacrifícios recorrentes, restrições de prazer, criamos passivos emocionais que pedem por compensação para equilibrar a balança. E a fonte de prazer mais imediata e disponível é quase sempre a comida. Está ao nosso alcance, não depende de mais ninguém e oferece prazer ao paladar, portanto, neste caso a compulsão será sempre por coisas saborosas, guloseimas e não necessariamente vegetais ou cereais.

Também há a compulsão desencadeada pelo sentimento de vazio, então a comida funciona como sensação de preenchimento e saciedade. Assim como no caso anterior é apenas uma sensação momentânea e passageira, que vem seguida de culpa, mal estar e arrependimento.

Devemos relacionar a comida principalmente a sobrevivência do corpo e subsistência do organismo, e não prioritariamente ao prazer. As dietas, quando não são loucas e desmedidas, mas sim funcionais e fundamentadas, funcionam muito. Mas o que ninguém percebe é que cada dieta corresponde e funcionará melhor de acordo com cada perfil psicológico, note que não estou falando necessariamente de corpo, mas de funcionamento psíquico. Há o que funciona com cada um como haverá o que não funciona e não adianta o milagre que a dieta promete.

Vamos aos exemplos que fica mais fácil de compreender. A dieta dos pontos do Dr. Alfredo, não vou entrar em detalhes do que se trata, porque o objetivo não é fazer apologia a nenhuma dieta em específico, mas neste exemplo a grande sacada é ter o real controle de absolutamente tudo o que se consome, tudo o que vai boca a dentro deve ser computado para não ultrapassar o limite  de pontos permitido. Portanto, esta dieta é para o perfil que seja minimamente disciplinado e se entusiasme com desafios. Você pode comer de tudo, no entanto, a única restrição é o limite dos pontos.

Tem dieta da proteína, do chá verde, do carboidrato, enfim, uma infinidade delas. No entanto, entre todas as melhores são aquelas que sugerem reeducação alimentar, algo que você possa dar continuidade após ter atingido seu objetivo, é por isso que as dietas restritivas demais levam ao emagrecimento, mas também traz junto o efeito sanfona.

Não há milagres, nem soluções mágicas, nem instantâneas, exercício físico desde que mundo é mundo é importante não só para manutenção do corpo, mas também para o cérebro; alimentação sensata, é aquela que te satisfaz, não impõe sacrifícios intensos e não te transforma em refém.