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- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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terça-feira, 22 de maio de 2012

A FUGA



Num tratamento psicanalítico é tão certo quanto ar que se respira, que num dado momento o evento da fuga irá se estabelecer, mas mesmo sendo tão óbvio, não há uma receita assertiva para se antecipar e ou evitar seus desdobramentos.

Basta o sujeito entrar em terapia (costumo dizer que há diferença entre "frequentar" e "entrar" em terapia), começar a se ver implicado numa posição que ele ainda não havia se colocado ou se ver responsabilizado de alguma forma, enfim, se houver contrariedade consciente ou inconsciente, pronto: ele irá fugir!

Algumas vezes o boicote a análise é sutil, outras vezes é proposital mesmo. A verdade é que a grande maioria não está preparada para um processo de terapia emocional intensiva.

Recebo muita gente querendo apagar incêndio, como se o consultório fosse um pronto socorro emocional, e depois sanada a questão pontual, a terapia passa a ser supérflua e desnecessária. Mas não é assim que funciona, num acompanhamento terapêutico tiramos muita coisa do lugar, levantamos o tapete e propomos uma varredura para que saia tudo o que está lá embaixo. 

O objetivo de autoconhecimento é sério e traz incontáveis vantagens se tratado com a relevância que merece.

Já dá até pra ficar mais descolado com algumas terapias, quando estão atingindo o ponto nevrálgico (que normalmente é sinônimo de “chato” para o analisando), vai rolar uma fuga, mas mesmo sabendo, não há o que ser feito, retroceder para tornar as sessões agradáveis e prazerosas, não é o objetivo. 

Busco avisar bem avisado logo na entrevista: o setting analítico não é necessariamente um local de desabafo, aqui é um lugar de literalmente falar o que quer e ouvir o que não quer; um acompanhamento pode se tornar difícil e é aí que será necessário bancar a permanência; mas não adianta. Eles fogem mesmo!

Confesso que grande parte das vezes eu abstraio e considero parte do processo natural, mas algumas vezes isso me aborrece profundamente porque deu trabalho chegar até ali, galgar os degraus até vislumbrarmos respostas importantes, são conquistas que acabam por não se efetivar porque a propensão à fuga é maior que o meu apelo pelos resultados.

Ainda devo considerar um ganho quando a fuga se estabelece através dos meios amigáveis, porque muitas vezes o sujeito entende como necessário o rompimento, acontece a transferência, ele se indispõe com o analista para que possa subsidiar a sua fuga. Como dizem os adolescentes: “aí é osso”!

O setting analítico não deve ser visto como pronto socorro emocional ou pelo menos não só isso. Um acompanhamento terapêutico deve ser interpretado como um investimento definitivo e sério sobre sua qualidade de vida emocional.