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enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MEDOS E FOBIAS

Medo e fobia estão relacionados, tanto quanto não estão. O Medo faz parte da constituição natural dos nossos mecanismos de defesa e sobrevivência, ou seja, ele é necessário a preservação da vida, proteção e bem estar. Já a fobia ou o Transtorno Fóbico, é o medo no formato da intimidação emocional que não tem necessariamente uma utilidade real, é o medo anormal. E quando este medo fóbico toma proporção que começam a afetar a vida do sujeito, vira uma psicopatologia, inclusive com registro na Classificação Internacional de Doenças (CID). 

Tendo explicado melhor a função do medo no nosso aparelho psíquico, podemos entender melhor e de forma isolada os Transtornos Fóbicos, que por sua vez, se dividem em três principais quadros:

- Agorafobia;
- Fobia Social;
- Fobia Específica ou Fobia Simples.

A primeira, a Agorafobia, que significa medo da ágora (definição dada às praças gregas que também tinham seus mercados), tem a ver o medo da morte, relacionado a falta ou dificuldade de socorro, que pode ser seguida de Ataques de Pânico, ou seja, o sujeito começa a enxergar risco de morte em circunstâncias que eram para ser habituais, mas passaram a representar desafios sérios. Lugares com excesso de público, ou com layout de um labirinto, sem muitas portas e janelas, são gatilhos para quem sofre de Agorafobia. Estes, normalmente não toleram se verem sozinhos, precisam estar acompanhados o tempo todo, incomodam-se em estar num lugar onde desconhece saída ou é de difícil acesso, elevador, lugares fechados, avião, etc.

Os ataques de pânico promovem sintomas reais, que podem ser: taquicardia, sudorese, oscilação da pressão arterial, náusea, no entanto, quando estes sintomas (que existem de fato) são investigados não levam a nenhuma causa orgânica.

Para entender melhor como isso acontece, veja como o medo é acionado no nosso cérebro:

O Sistema Límbico funciona como um banco de memória, que juntamente com a Amígdala relaciona as situações registradas de perigo e aciona o Hipotálamo que preparará o organismo para reagir.
No caso do medo, ele pode ter seu registro através de aquisição, aprendizado ou trauma. No entanto, se por algum motivo este registro foi feito de forma equivocada e assim ficou armazenado, seria necessário descontruir esta concepção de perigo.













A Fobia Social tem a ver com o medo da exposição, que impinge o medo do constrangimento, humilhação e  rejeição. Pessoas que sofrem de Fobia Social não toleram o convívio em grupo, conhecer ou estar em contato com pessoas desconhecidas, fazer refeições em lugares públicos e o pior dos pesadelos seria representado por um discurso para uma plateia. É como se o risco da exposição negativa existisse o tempo todo, quando estão fora do seu local eleito como seguro. E por sua vez, as consequências disso lhe parecem algo grandioso e intransponível.

A Fobia Específica, como o nome mesmo diz, tem nome, razão de ser, e normalmente é possível inclusive identificar quando o medo se instalou e quando ocorreu o primeiro evento fóbico. Por exemplo, uma criança que se viu sozinha num ambiente onde haviam baratas, pode quando adulto desencadear esta fobia, pois associou o fato de se ver sozinho, obrigado a enfrentar algo maior que sua capacidade. Também alguém que sofreu um acidente de carro, e não consegue mais andar de automóveis.

Tem um exemplo que eu gostaria de citar, porque ilustra e distingue bastante o que é fobia do que é mania. É o caso de uma moça com fobia de baratas que eu acompanhei. Assim falando parece algo pouco expressivo, alguém que tem medo de um inseto peçonhento e que é incapaz do enfrentamento. Mas de jeito nenhum pára por aí. Essa moça tinha a necessidade de lavar a casa toda com água sanitária todos os dias, lavava os muros da residência para que o inseto não viesse do vizinho, não abria janelas, por medo de entrassem voando, não dormia sem antes inspecionar em cima dos guarda-roupas, não sentava no sofá e relaxava no encosto, porque temia uma barata descer pela parede e se emaranhar nos seus cabelos. Isso é Fobia!

O Fóbico não possui um estereótipo específico, mas é possível traçar um perfil mais comum, normalmente são pessoas que receberam uma educação muito rígida, que são muito preocupadas com julgamento alheio, perfeccionistas, possuem alto senso de responsabilidade. Também é válido citar que há contribuição de fatores biológicos, já que se concluiu que o desnível das substâncias de serotonina e noradrenalina são preponderantes para desencadear os sintomas.

Foi através das descobertas da possibilidade de contribuição genética, que chegaram a um tratamento mais eficaz contra as fobias, através das novas gerações de antidepressivos.

Não há um padrão estabelecido para o tratamento de Fobias, no entanto, existem alguns parâmetros:

- combater os sintomas com estados contrários;
- controlar os sintomas e se submeter gradativamente ao enfrentamento;
- analisar e descontruir seu fundamento.

Existem inúmeras fobias nomeadas e muitas outras ainda não classificadas, justamente porque se confundem com manias e cismas do sujeitos que se incorporam ao seu jeito de ser e não são consideradas de fato patologia. Ex.: Triscaidecafobia (fobia ao número 13).

A conclusão é que Fobia não é normal e não deve ser tratada como tal, ela inibe a vida do sujeito, impõe restrições e submete ao sofrimento. Ela tem tratamento, tanto farmacológico para controlar os sintomas, como terapêutico para eliminar a causa.