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- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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sexta-feira, 12 de abril de 2013

QUANDO COMPRAR FOGE AO CONTROLE




- Quais os fatores que desencadeiam a compulsão por compras?
Não temos um fator específico responsável por desencadear a compulsão, como fator padrão, mas existem alguns fatores contribuintes, que podem ser:
- baixa autoestima: na efetivação da compra, está implícito um exercício de poder. ""Eu posso!"
- necessidade de compensação: eu sofro por alguma razão, sinto-me penalizada, oprimida, logo, eu me autorizo. "Eu mereço!"
- sentimento de vazio: assim como na compulsão por comida, a compulsão por compras também remete o sujeito para falsa sensação de "preenchimento de algo que falta", como se daquele item dependesse a própria felicidade ou sossego. "Eu preciso!".
- ausência de fonte de prazer: quando as demais fontes falham, a comida e as compras representam prazer imediato e que dependem somente do sujeito. "Eu me presenteio".

Enfim, estas são algumas razões, mas existem outras, de forma mais particular para cada caso.

- Muitas pessoas não procuram tratamento por achar que não têm qualquer tipo de problema. Como é o quadro clínico desses pacientes? Está associado a outros transtornos?
Primeiramente as pessoas não procuram tratamento não por acharem que não têm nenhum tipo de problema, elas até suspeitam que haja algo errado, mesmo porque logo em seguida a efetivação da compra desnecessária, elas são acometidas por uma culpa terrível. No entanto, elas se recusam a abrir mão do pseudobenefício que encontram. Não querem ficar sem isso.

O quadro clínico não costuma indicar nada em muita evidência, a não ser baixa autoestima e carência afetiva. O que acontece é que conforme o quadro vai se agravando, vão acontecendo os desdobramentos disso: endividamento, mentiras, uma vida mais secreta, reclusão. 

Não é difícil este problema coincidir ou deflagrar um quadro depressivo, aliás, bastante comum nos casos que perduram sem tratamento.

- O que os familiares ou amigos das pessoas com transtornos compulsivos podem fazer para ajudar?
Buscar conscientizar o sujeito de que se trata de uma doença, e como tal deve ser tratada e que estarão ao seu lado para contribuir e apoiar no que for necessário.

Nestes casos o excesso de complacência e benevolência, tolerância, vistas grossas para o problema não ajuda em nada, pelo contrário, agrava o quadro porque o sujeito passa a se sentir legitimado.
- Como a psicoterapia contribui para o tratamento?
- Identificando a causa raiz que o levou a buscar o exercício da compra, da aquisição, para apaziguar suas emoções. 
- Conscientizando o quão nocivo é para seu bem estar à continuidade desta prática.
- Oferecendo apoio técnico, desprovido de julgamentos, apresentando argumentos articulados que o leve a compreender a dimensão do seu cenário de vida.


- Apelos ao consumo podem contribuir para o desenvolvimento do problema? Hoje em dia, com tanta oferta publicitária, podemos dizer que as pessoas integram uma geração mais compulsiva?
Sem dúvida eu compartilho desta ideia, acrescento que as facilidades de crédito também agravam este cenário e inclusive as técnicas de vendas desenvolvidas justamente para identificar este perfil no consumidor e fazer uso disso para persuadi-lo a comprar.

Há um mito que vale a pena ser esclarecido: que este transtorno se desenvolve prioritariamente entre as classes sociais: média e alta. Na verdade ele está presente entre todas as classes, que apresentem minimamente o poder de compra. As pessoas se endividam, muitas vezes deixam de comprar o fundamental para sua subsistência, para adquirir o que é supérfluo, mas que atende a sua necessidade de comprar.


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