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emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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domingo, 23 de junho de 2013

TRANSTORNO FÓBICO ALIMENTAR

Quando pensamos em transtorno fóbico alimentar a tendência é relacionar a Anorexia, Bulimia ou Obesidade. Mas eu quero falar de um outro tipo de fobia alimentar, que não é o primeiro caso que eu atendo, mas ainda assim é raro e poucas pessoas conhecem ou reconhecem os sintomas como sendo patológicos.

Eu vou usar o exemplo do último caso que eu atendi, já que ela me autorizou a escrever sobre ele, vou chama-la de Clara.

Quando a Clara chegou no consultório, era a figura de alguém frágil, talvez por ser pequena, delicada ou muito magra ou os três juntos. Logo ela começou a contar sobre seus sintomas, sobre sua maratona de médicos e tratamentos e por quanto tempo isso já se prolongava, dois anos aproximadamente.

A Clara não conseguia engolir nada sólido ou consistente, cada vez que tentava ela engasgava, tossia, apavorava-se e lhe faltava o ar. Portanto, já fazia dois anos que ela só se alimentava de líquidos ou cremes, tudo era batido no liquidificador e peneirado antes de engolir.

Ela tinha o apoio de toda a família e todos respeitavam seus sintomas, apesar de não compreendê-los, pelo menos as pessoas mais próximas.
Já havia visitado perto de uma dezena de especialistas para tentar identificar a procedência do seu problema e enquanto isso, só ia sofrendo cada vez mais limitações e privações e sua vida social já estava ficando comprometida.
Até que uma médica resolveu sugerir que ela procurasse terapia para uma avaliação.

Em poucas sessões enquanto ela montava o seu cenário de vida, ia dando para perceber que o início dos seus sintomas coincidiam com um trabalho fatídico em que ela havia se submetido. Era um ambiente hostil, com colegas oprimidos e gestores tiranos e desrespeitosos.

Dali não foi difícil perceber, que a forma que o inconsciente dela conseguiu reagir e pressioná-la a fazer algo pela sobrevivência de ambos, foi desencadeando uma patologia psicossomática bem sugestiva do tipo: “não aguentamos mais “engolir” sapos”. É claro que esta é apenas uma ilustração de interpretação que configura um transtorno de ansiedade crônico.

Com muita explicação, ela compreendeu que os sintomas que ela tinha eram reais, mas a causa não era. Que se tratava de um mecanismo de defesa involuntário e distorcido, que o inconsciente desenvolveu e que culminou numa fobia.

E como toda fobia, não há outra forma de ser reparada a não ser enfrentando. E ela foi  gradualmente, respeitando os seus próprios limites, progredindo e avançando a cada semana. E é aqui que entra a determinação e a valentia dessa moça. Nós combinávamos metas para a semana e ela se propunha e cumpria. E retornava feliz da vida porque tinha comido isso ou aquilo, que tinha retomado o prazer de se alimentar.

Também aconteciam as auto sabotagens, os engasgos de vez em quando,  o que é natural e esperado, mas ela se mantinha firme no propósito e não retrocedia.

E então, ela recebeu alta analítica porque já não haviam mais restrições pra ela e a queixa principal que a trouxe para terapia não existia mais.

Um comentário:

krika disse...

Por gentileza poderia abordar o assunto Distimia? Obrigada