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enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A EPIDEMIA DOS "50 TONS DE CINZA"



Tem alguns eventos da atualidade que são custosos a compreensão da minha geração. Exemplos:

- um sujeito que sai de lugar nenhum, produz uma música que não diz coisa alguma e por acaso algum jogador de futebol canta ou dança para comemorar um gol (outra coisa meio estranha),  e pronto, o cantor vira celebridade, a “música” vira hit nacional, e até internacional;

- outro sujeito do outro lado mundo, cria uma coreografia baseado nos movimentos dos animais, que aliás, as criancinhas de 0 à 2 anos fazem brilhantemente,  e de repente , todo mundo começa copiar e a reproduzir e tá feito: o “coreógrafo cantor” fica mundialmente popular e rico;

- um estilo musical que não tem música, zero de melodia, que são repetições ou narrativas com solavancos na voz, que traz junto uma coreografia que não tem dança, só demonstrações eróticas ritimadas.

Estas coisas vão muito além de lançar moda, e as pessoas saírem copiando. 
Parece uma carência sem igual de algo novo, mesmo que não faça sentido, ou mesmo que não tenha conteúdo. Se for novo, é o que vale, mas às vezes nem é tão novo assim...

Bem, e onde é que esta introdução se encaixa no título? A princípio achei que o livro da trilogia dos “50 Tons de Cinza”, era mais um caso típico de novidade vazia, um romance como tantos outros, que parece trazer uma receita de bolo: uma donzela virgem plebeia e um príncipe provedor e protetor. “Écah!!”

Mais foi quando eu comecei a notar que parecia estar acontecendo um surto no consultório, era uma mulherada chegando com o livro a tira colo, que me chamou a atenção.

Aí começaram os comentários: “o livro é picante”; “a história é de tirar o fôlego e tem me inspirado muito”; “o livro apimentou meu casamento”; e por aí vai...

Bem, começou a me chamar a atenção por que o tal livro já estava influenciando em mudança de comportamento, o que muito me interessa. 

Comecei a observar melhor a faixa etária das leitoras, qual o contexto de suas vidas assimilando com a influência do livro, e fui tentando entender, até que tive que ler o tal livro para fechar o quebra cabeças. E fechou!

Sobretudo eram mulheres acima dos 30 anos, que já não usufruem naturalmente do bombardeio hormonal, que começa na adolescência e que promovem deliberadamente a montanha russa da libido, onde até os poros exalam sexo. Perfis que andaram se dedicando muito ao desenvolvimento de suas carreiras, crianças, etc. e que se esqueceram um pouco de investir em si mesmas ou em seus relacionamentos.

De fato, na “minhazinha” opinião é apenas um romance como outro qualquer, é até menos interessante no que diz respeito a trama romântica, incrementos da história, mas seu atrativo não está aí mesmo, mas sim na riqueza do detalhamento da erotização dos personagens principais. A história corre como um pretexto para viabilizar a escritora a instigar a libido das leitoras.

Tem algumas características que seguem uma receita de bolo, como escrevi acima: um moça jovem, virgem, inocente e de personalidade + um jovem mais velho, com uma infância sofrida, que se torna rico e poderoso, com um incrível potencial provedor e protetor. Antropologicamente esta receita já tem ingredientes que atendem: instinto materno despertado e o amparo do macho Alpha. Daí por diante é só sexo, que começa com um Dominador e uma submissa, vira melodramático, volta a ser inocente, se mistura com transferências de papéis, mas enfim, não sai muito disso.

Agora o “X da questão”: por que este roteiro agradou a mulheres inteligentes e que têm um controle de qualidade literário alto?
Simples: porque ajudou a lembra-las de suas libidos. Restabeleceu a equação:

Imaginação estimulada + Pensamento em Sexo = Aumento da Libido>= Mais Sexo!
Pronto! Quem não pensa em sexo, não faz sexo ou se faz, faz pouco.

É pena que este efeito não dure muito. O livro acaba ou os volumes seguintes ficam enfadonhos e a responsabilidade da manutenção da libido que cada uma, fica pra elas mesmas e se não descobrirem maneiras novas ou recursos próprios para que isso aconteça ficarão aguardando os “50 Tons de Preto, Branco, Azul...”