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Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

OBESIDADE



 

Eu já escrevi antes sobre transtornos alimentares, mas parece que este assunto é sempre atual e sempre há o que acrescentar.

Por amostragem e com a grande incidência da procura das pessoas para tratarem, sobretudo, quanto ao ganho de peso, percebe-se que nós não comemos pela “boca”, mas sim pelo “cérebro”. Calma! Eu explico: substitua o “pela” pelo: “em função de”, que não será tão óbvio quanto parece! É claro que o estímulo vem do cérebro, mas não necessariamente da “fome”.

Conforme estudos, a fome é a quinta e última razão pela qual comemos. Antes dela vêm quatro outras razões puramente emocionais: comer por compensação, por companhia, por sentimento de vazio e por punição. A única razão que é consciente é a própria fome, as demais, todas na maioria das vezes, inconscientes. Vou explicar cada uma destas razões:

- Comer por compensação: quando temos um dia estressante ou fomos submetidos a algum tipo de sacrifício ou um conjunto deles, comemos. De preferência alimentos saborosos, que nos remetam a prazer e não necessariamente a saúde ou saciedade. Quem come por compensação não quer comer cenoura, prefere um bolo enorme de cenouras com muita cobertura de chocolate. E a frase mental predominante deste sujeito é: “Hoje eu mereço!”. O “hoje” é para justificar que é só hoje que ele está se autorizando e o “eu mereço”, para justificar que não é uma extravagância, mas sim por mérito. Tudo balela! A culpa virá posterior ao último bocado de qualquer maneira;

- Comer por companhia: esta demanda emocional é tão distinta que é difícil até de explicar, nasce de um sentimento de solidão profundo e velado. De certa forma o cérebro entende a comida como forma de companhia, preenchimento de ausência que o ocupa e complementa. Este perfil é o típico que não consegue sentar-se a frente da TV sem estar comendo ou beliscando algo;

- Comer por sentimento de vazio: refere-se a uma inquietude emocional advinda de um sentimento sem definição, que se destaca pela falta de algo, como uma busca por uma completude que o sujeito mal sabe definir do que seja, compara-se a uma depressão menor, um sentimento de vazio. E a comida preenche este espaço de falta, momentaneamente, oferecendo um sentimento reconfortante. Neste caso, normalmente o sujeito passa do ponto, come além do que dá conta e acaba por passar mal, justamente porque o vazio é emocional e não físico;

- Comer por punição: esta razão é a que mais tem a ver com a baixa autoestima, onde o sujeito banaliza as consequências dos excessos, ou se acha realmente incapaz de alcançar uma forma física desejável. Normalmente se considera pejorativamente gordo(a) e não há nada que possa mudar isso. A frase mental predominante é: “Não estou me importando, vou comer mesmo, não estou nem aí!”.

Viram quantas armadilhas veladas nos levam ao sobrepeso?

Comer não pode ser um evento automático na vida do sujeito, tal como dormir ou escovar os dentes. É preciso transformar este momento em algo pensado, planejado ou pelo menos opcional e não condicionante ou compensatório.

A comida não deve ser desprezada como fonte de prazer, mas também não deve ser estabelecida como a única ou a principal fonte. Comer é prazer imediato e independente, por isso recorremos tanto a isso.

O inconsciente não lida bem com radicalismos ou privações severas, ele vai tolerando, e paralelo a isso vai criando um passivo emocional, que ficará ávido a espera da compensação ou de equilíbrio. Se isso não vem, ele logo vai a desforra e sabota a dieta da forma que pode, com oscilação de humor, de ânimo, tolerância ou sintomas físicos até te forçar a consumir em dobro tudo aquilo que você o acostumou e agora o privou. Eis o efeito sanfona posterior a qualquer dieta maluca ou restritiva demais.

Então chegamos ao que fazer? Que solução tem esse problema tão complexo e de difícil superação?

1.    Comece por mapear as razões que te levam ao exagero ou ao paladar tão desregrado, quais das quatro razões psicoemocionais te levam a comer, ou se são todas as quatro? Resolva da forma correta, isente a comida como solução.

2.    Vá ao médico, peça exames para se certificar se não há uma razão fisiológica involuntária para seu ganho de peso, e que precisa ser tratada.

3.    Questione sua saciedade, pare no meio do prato e pergunte se já se sente saciado? Se poderia parar de comer naquele momento? Vai se surpreender que na maioria das vezes a resposta é sim e o que nos move a continuar é a gula (prazer) e não a fome.

4.    Abandone o açúcar refinado para nunca mais voltar. Não é só prejudicial a dieta, mas sobretudo a sua saúde. Substitua por adoçante em pó a base de sucralose, será outra surpresa quando perceber que o gosto não muda tanto assim e rapidamente você se acostuma.

5.    Não invista nas restrições, mas sim nas substituições inteligentes. Como o objetivo aqui não é orientação nutricional, não entrarei nesse mérito.

6.    Igualmente não trace metas arrojadas demais para cumprir, respeite o que o seu corpo dá conta. Desta forma seu inconsciente não será acionado com sinal de alerta para defender sua sobrevivência e sabotar sua dieta. Não tenha pressa, para ser definitivo é bom que seja aos poucos para que todos se acostumem com sua nova proposta de forma física: seu corpo e sua mente.

7.    Podemos inventar uma série de desculpas ou justificativas e ainda terminar com a frase: “eu não sei por que eu engordo? Quase não como”. Não é obra “do além”. É uma equação simples: seu consumo calórico está superior ao que gasta. Ponto, simples assim! É só assumir!

8.    E feito isso, exercite-se! No começo é um tédio, é difícil, dá vontade de fazer qualquer outra coisa menos exercício, mas se insistir, você vicia seu cérebro e pronto: um novo e saudável condicionamento está estabelecido. Quando está se exercitando, após apenas 15 minutos de atividade seu corpo libera uma substância do bem, chamada endorfina, que o cérebro adora e quer experimentar outras vezes. Então faça sua parte, que ele (o cérebro) fará o resto.

9.    A grande sacada é reeducação alimentar, não é dieta pontual para atingir objetivo rápido e logo abandonar e ganhar peso tudo novamente.

Por último há um esclarecimento rápido a fazer: nós somos convidados desde criancinha ao ganho de peso. O que o adulto acha mais bonitinho: um bebê magro, mesmo que saudável ou um bebê rechonchudo cheio de dobrinhas e bochecha corada? O investimento emocional e a  aprovação que está presente no olhar do adulto para o bebê já o autoriza e o convida a ser gordinho. Outro fator complicador é o parâmetro materno, as mães se realizam quando seus bebês comem tudo (muito) ou se mostram gulosos. É como se para elas isso fosse sinônimo de saúde, só não pensam que em breve isso se tornará patológico. E pra ficar pior, tem mais aquela sentença que levamos para a vida adulta: se colocou no prato, deve comer tudinho! Deve coisa nenhuma! Se está saciado, deixe no prato, até aprender a colocar menos.
 
Agora vai uma dica: sob o ponto de vista analítico e com supervisão de um especialista, eu vejo com bons olhos a dieta dos pontos. Porque ela não é restritiva, deixa o sujeito à vontade para fazer suas escolhas, portanto minimiza as investidas contrárias do inconsciente; obriga o sujeito a se apropriar (tomar consciência) do que está consumindo; e consequentemente fazer escolhas mais sábias para não estourar sua meta diária; enquanto isso vai promovendo uma mudança de hábito em consumir porções menores, comer com uma frequência mais regrada, evitar certos alimentos calóricos e com pouca contribuição nutricional, não impõe prazo ou fases diferentes de dieta, considera que haverá exageros e propõe compensações, enfim, apenas sob o ponto de vista analítico, eu acredito que atende as maiores dificuldades emocionais com relação as dietas.

Existem, inclusive, vários aplicativos para celular que contribuem para o acompanhamento da dieta. É bem legal!

Vou colocar abaixo algumas bibliografias para consulta e duas sugestões de aplicativo:

- A Nova Dieta Dos Pontos (Halpern, Dr. Alfredo);

- A Culpa é da Genética (Burnham, Terry & Phelan Jay);

- Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor (Houzel, Suzana Herculano);

- Endorfinas (Lawson, Jack);

- Aplicativo: Nutrieduc (para Android): é prático para ser usado, oferece as informações necessárias de forma fácil e rápido; tem a versão free e a versão paga que custa em média R$ 3,00 (pagamento único) e é mais completa. Também existem vários outros disponíveis tão bons quanto e free.

- Aplicativo: My Fitness Pal (para Apple).

Espero ter podido contribuir ou dar um empurrãozinho para quem está precisando perder peso e precisa parar de se sabotar.


Um comentário:

Rosana disse...

Boa noite ! Tenho andado por aqui...lendo muitas coisas interessantes e uma dica foi super válida: o aplicativo Myfitnesspal..muito legal e super útil! Obrigada !bem completo no sentido de incluir cálculos sobre exercícios executados e ainda faz um mapeamento da parte nutricional ingerida etc..etc..portanto mais interessante do que o Nutreduc .Muito boa dica ! Fã !