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Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

LUTO AGAIN (não por culpa minha)



Veja bem, não é minha responsabilidade ficar nessa pegada só do luto, luto, mas as pessoas me escrevem fazendo perguntas interessantes para debater, e aí não consigo sair do tema. 

Um "anônimo" me perguntou por e-mail: há algo que eu, como iniciativa própria, possa fazer para minimizar meu sofrimento de luto e perda?

Pensei muito nessa pergunta sob o ponto de vista analítico, e acho que há por onde começar. Já te ocorreu assumir a sua participação na dor da perda?

Não estou falando de culpa, nada disso. Não se trata de culpa, trata-se da responsabilidade implícita quando a gente escolhe amar alguém.

O que eu quero dizer é que não há como ficar só com a parte boa, nem mesmo do amor. Se escolhemos ter um filho, um marido, uma família, viver uma história de amor seja com quem ou com o quê for, está implícito nisso o risco da perda, da decepção, do abandono, de tudo de negativo tanto quanto de positivo.

A questão é: fazer diferente disso, seria como? Uma blindagem emocional, viver relações superficiais para evitar nos machucar ou a dor de uma possível perda?

Será que vale a pena? Não seria a minha opção viver pela metade, se acovardar em prol de um não pseudo sofrimento.

Então, pra resumir esse ponto de vista, que aliás reconheço ser muito pobre mediante uma pergunta tão complexa e importante, eu diria que tudo que eu amo, eu posso perder e eu preciso estar ciente disso desde quando fiz a opção de amar...

Se construir essa percepção adianta alguma coisa? Se diminui a dor da perda? Provavelmente não. Só pode, talvez, lhe trazer uma possibilidade de elaboração a ser trabalhada.

2 comentários:

Rosana disse...

Lindalva,a blindagem com o objetivo de nos proteger,evitando relacionamentos até mesmo apresentando um comportamento anti social, é o pano de fundo do TOC ? Medo de contaminação seria inconscientemente medo de se machucar e o isolamento seria uma forma de se proteger das emoções oriundas dos possíveis envolvimentos ?
Seria uma analogia tipo ,bactéria = sofrimento e limpar = recusa ao sofrimento ?
Será que fui clara ?
O TOC leva ao isolamento...isolamento gera depressao.
O motor dessa engrenagem é o medo?
Estou na verdade tentando achar o fio da meada do TOC. Alguma coisa no seu post e na sua resposta ao comentário acima me deu este insight...será que existe coerência psicanalistica na minha colocação ? Um abraço e obrigada !

Psicanalista/ Psicoterapeuta disse...

Oi Rosana!

Vamos lá:
- primeiro: Sim, o TOC é um mecanismo de defesa na maioria dos casos;
- segundo: toda a co-relação que você faz entre TOC e relacionamentos, me parece ter sido construída a partir de uma elaboração sua. Não é padrão ser esta a razão do desenvolvimento do TOC, no entanto, a referência e o simbólico que você usa me parece bem possível, e talvez faça sentido sim...;
- as razões são muito particulares, ímpares, cada caso é um caso.

No entanto, você tem uma habilidade de auto-análise muito boa. Acho que deveria investigar isso que você mesma sugeriu como hipótese.

Acho que não ajudei muito. Desculpe, mas a sua pergunta é complexa, apesar de interessantíssima.

Abraço.