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emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

LUTO PELA ÓTICA DO ENLUTADO I

Eu sei que eu já escrevi sobre luto antes, e provavelmente a versão será muito diferente, no sentido de mais completa do que o texto anterior.

Eu queria recomeçar escrevendo sobre psicofármacos, que é o que eu estou estudando e é muitíssimo interessante, mas a bola da vez é o luto e para não perder o que ainda está fresco na minha cabeça, depois falaremos sobre remédios.

Comecemos pela definição: a Psicanálise trata como luto qualquer tipo de perda que traga como consequência o sofrimento do sujeito: fim de casamento, a morte do cãozinho de estimação, perda do emprego de tantos anos, óbito de um pai, mãe, filho, etc.

Sendo assim, deve "obedecer", de certa forma, algumas fases, que alguns pensadores dividem em 5, outros em 3 e ambos estão corretos, porque cada um, é um.

São elas:

- Negação: o nome já diz. É a dificuldade de acreditar, de ter a sensação o tempo todo de que foi um engano e tudo irá voltar a ser como antes;

- Raiva: que pode ser contra um eleito (culpado), Deus (bastante comum) ou o próprio objeto/sujeito de perda (por que você me abandonou, não tinha o direito de me fazer sofrer tanto assim... essa transição de sentimentos, não é lógica e elaborada, está mais para uma pulsão do inconsciente, que também está buscando a sua sobrevivência psíquica);

- Saudade: é a que mais dura, maltrata e adoece o enlutado. Ele busca lembranças, fotos, objetos que o remetam ainda mais para o seu luto, na tentativa de apaziguar seu sofrimento, no entanto, só o fomenta. Muitas pessoas ficam anos e anos presas nessa fase.

- Negociação: essa, nem de perto é vivida de forma consciente pelo indivíduo. Aqui o inconsciente está buscando reparação e compensação para o Ego. Porque ele tinha e não tem mais, porque ele era e não é mais...

- Aceitação/ Elaboração: ufah! Libertação, pelo menos da pior parte que o luto nos impõe. É buscar através dos próprios recursos que escolher pra isso, que a única saída é reinventar sua vida sem o que foi perdido; é pensar que o estado de paz e felicidade é possível através de uma reconfiguração.

Estas fases não se comportam cronologicamente bonitinhas como vocês vêm acima. Elas oscilam, quando você pensa que já superou uma delas, algum sintoma volta com tudo e assim vai se indo.

Exitem muitas armadilhas no luto: a depressão é uma delas. E sabe por que? Porque há legitimidade. Porque todos reconhecem que o luto pode representar a dor suprema, então, digamos que é autorizado ao enlutado deprimir e muitos caem nessa arapuca quase inevitável.

Eu achava que o enlutado tinha direito a um antidepressivozinho, mas fui convencida que isso está errado. Ele pode até utilizar um indutor do sono, mas ele precisa enfrentar seu luto de cara limpa, só assim ele se curará, senão ficará tratando sintomas e congelando seu luto por tempo indeterminado.

O que vocês interpretariam da frase do Freud abaixo:

"Segundo Freud (1920) que no luto, entendido como uma constelação de reações psíquicas, conscientes e inconscientes, há uma perda da libido antes investida no objeto amado, porém a perturbação da autoestima esta ausente (Freud,1920. p,250), já na melancolia não há necessariamente uma morte e sim uma perda inconsciente do objeto de amor, levando o ego a um estado de pobreza da libido... Dessa forma uma perda objetal se transformou na perda do ego... (Freud, 1920.p, 255)."
Fonte:http://psicologado.com/abordagens/psicanalise/luto-e-melancolia-nas-teorias-de-freud-e-melanie-klein 

Não. Não tem nada a ver com sexo! Perda da libido, ele quer dizer investimento de amor e querer bem, que o Ego fica a não ter a quem destinar. O Ego fica mais empobrecido e consequentemente a autoestima também. Tudo inconsciente...

Se autorize a sofre sua perda, com todas as lágrimas que lhe são de direito, não se culpe de uma gargalhada porque isso não pertence ao enlutado, reinvente uma vida saudável, incluindo até possibilidades que antes não haviam.

No começo, estabeleça metas, e siga cumprindo mesmo que metodicamente e sem vontade: levante da cama na hora combinada, banho não é negociável, faça uma lista de afazeres e cumpra.

Muito importante: esqueça o "porquê", primeiro porque ele não existe e se existisse não traria ninguém de volta.

Se for necessário, crie seu ritual que lembre ou homenageie quem partiu, mas não crie a paranóia de que ele te acompanha 24 horas por dia, porque inclusive os mortos devem ter mais o que fazer... E esse ritual só pode ser considerado como objeto de transição, não pode durar pra sempre. Ok?


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