BEM VINDO!

Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Manipulação Comportamental

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O tema deve ser mais frequente na vida das pessoas do que eu supunha, a deduzir pelas visitas e os comentários deixados no texto anteriormente postado (anos atrás).

É curioso pensar que a manipulação emocional está presente em nossas vidas e no nosso convívio diário muito mais do que presumimos, sem de nenhuma forma nos darmos conta.

Somos seres naturalmente sedutores, ou seja, mesmo sem intenção direta, investimos atenção, afeto, escolha de palavras, visando incitar uma reação direcionada no outro, isso acontece muitas vezes inconscientemente, sem razão definida aparente.

Agora imaginemos quando imprimimos intenção determinada à estas atitudes de comportamento? Quando este artifício é usado intencionalmente com certa frequência, visando interesses próprios, chamamos de personalidade manipuladora.

Muitas vezes a necessidade de conduzir o comportamento do outro e fazer valer o seu próprio desejo é desconhecida, ou mascarada pelo próprio manipulador. Normalmente escondida ou sustentada por uma estranha pretensão de acreditar que invariavelmente está mais apto a fazer escolhas não só para si, mas para o outro também.

Existem algumas razões que explicam, em alguns casos, a personalidade manipuladora:

  • baixa resistência a frustração, em outras palavras, o sujeito que lida mal com a contrariedade, com o “não”. Logo, ele busca conduzir para que tudo saia a seu contento;
  • egocentrismo: visa com frequência seus próprios interesses, mesmo que seja em detrimento aos interesses do outro, normalmente sob ações conscientes;
  • pais exageradamente protecionistas: buscam conduzir/ induzir as escolhas dos filhos, com a pretensa ideia de protegê-los;
  • carência afetiva: existem os carentes natos, ou seja, não há o que os faça sentir supridos. Então, estabelecem relação de dependência emocional juntos aos seus afetos, buscando a sensibilização, chantagem emocional velada, qualquer coisa que os mantenham vinculados.

É importante ressaltar, que nem todo comportamento direcionado está vinculado ao desejo de manipulação, mesmo porque se existem os manipuladores, também existem os propensos a manipulação. Se autorizar a ser conduzido por outra pessoas traz benefícios secundários, isenta o sujeito de escolha e consequentemente responsabilidade.

Se porventura, você identificou algum comportamento parecido no cenário da sua vida, a primeira a coisa a ser feita é não reivindicar o que passou, não ocupe tempo e eneregia psíquica com isso, busque inibir a reincidência; estabeleça uma âncora para sua auto confiança e siga em frente. Não estamos rodeados por candidatos a psicopatas todo tempo. Ok? Sem neurotizar…

Contudo, já sofremos invariavelmente pequenas manipulações todos os dias, pela mídia, pelo governo, por nossos chefes ou subordinados, enfim, contidas na proporção do dia a dia. O objetivo afinal, é minimizar as maiores e que trazem consequências a curto ou longo prazo, e para isso, precisamos interpretar nossas escolhas, sem comodismo de pensamento, nos assegurarmos se são nossas de fato.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O Nosso Despreparo para a Terceira Idade


É muito comum chegar ao consultório conflitos familiares advindos do envelhecimento dos seus membros.

Envelhecer implica em uma série de consequências que não são contempladas no decorrer de uma vida inteira. E quando chega essa fase, parece que ela aconteceu de ontem pra hoje.


As mudanças resvalam em todos dos setores:
  • financeiro: aumentam os gastos e diminui a renda. Logo, a família é obrigada a  assumir os encargos extras, como plano de saúde ou complementar a renda do idoso de forma geral. Tanto o idoso, como a própria família deve se preparar para essa realidade.
  • emocional: os filhos estão adultos e consequentemente ávidos para seguirem com suas vidas e suas escolhas. Quando são obrigados a cumprirem o papel de ocupação ou entretenimento do idoso, algumas vezes é sacrificante e tende a frustrar sempre uma das partes;
  • físico: havemos de cuidar do corpo e oferecer manutenção ao organismo, antevendo que ele deve nos servir por muito tempo, para que possamos gozar de autonomia e qualidade de vida no futuro. Sem dependências que poderiam ser evitadas;

Imagino que as colocações acima deva levar a contrariedades interpretativas, porque é comum as pessoas associarem à incompreensão e ingratidão. São recorrentes pensamentos como: os filhos “devem” aos pais; a lei natural é que os mais novos cuidem dos mais velhos; não amparar os idosos é ingratidão e egoísmo. Enfim, eu concordo com tudo isso.

No entanto, existem algumas reparações conceituais muito importantes a serem feitas:
  • Filho não é plano de previdência. Uma pessoa não deve vir ao mundo já como devedor de seus pais. Por isso, gerar um filho é o ato mais altruísta e desapegado que um indivíduo pode praticar; é investir seu amor e seu propósito em criar um ser humano de bem, e certamente contaremos com o retorno disso, mas as garantias não existem. Ele não será o seu passa tempo na velhice, nem tão quanto seus netos. Eles serão visitas amorosas na sua vida, quererão sua companhia por vontade própria e não por obrigação, buscarão o seu convívio porque é resultado de uma criação de liberdade de escolha e independência, mas não porque foram postos num cativeiro emocional. Muitas vezes os filhos são levados a duvidar da sua própria competência em suas escolhas, porque a manutenção da insegurança é a garantia da dependência.
  • A família deve ser a representação de um porto seguro para seus integrantes, mas jamais um calabouço que aprisiona e oprime, que veta a independência porque a liberdade pode sugerir exclusão ou abandono.
  • A competência dos pais se mede pela independência dos filhos. O amor que liberta ao invés de escravizar é aquele que vê com brandura e alegria as escolhas dos seus herdeiros. Respeito e confiança deveria ser o lema a ser registrado no brasão de todas as famílias.
  • Confiar que muitas vezes os acertos são construídos a partir dos erros, e que errar é garantido como direito humano, deveria ser básico a qualquer criação. Um filho não é ferramenta egóica que deve servir como alimento de orgulho  e vaidade. É um ser humano com vida própria.
  • O amor, a paciência e o desejo do convívio são sentimentos plantados desde sempre que renderão em reciprocidade no futuro, ou não. Vai depender de cada um.

O mais importante, e o que eu repito pelo menos uma vez por dia é: que ninguém deve nada a ninguém. E isso está certo e é assim mesmo que deve ser. Se o que te nutri é o sentimento de dever, então algo deu errado e deve ser revisto.

A escolha de ser mãe ou pai, deve também contemplar o desejo de realização pessoal de cada um, ou seja, ninguém está fazendo um “favor” gerando ou criando um filho, deve haver o reconhecimento da sua satisfação pessoal com isso, do contrário, não faça, porque corre o risco de gerar um passivo desleal com o seu filho.



Há muita beleza em envelhecer, mas isso fica melhor de ser constatado quando nos preparamos para isso, preferencialmente antes de acontecer. Há mais amadurecimento, menos sofrimento com incertezas ingratas, há menos preocupação e mais opção. Mas tudo isso dependerá de como se chegará até lá...