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Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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terça-feira, 29 de novembro de 2016

O Nosso Despreparo para a Terceira Idade


É muito comum chegar ao consultório conflitos familiares advindos do envelhecimento dos seus membros.

Envelhecer implica em uma série de consequências que não são contempladas no decorrer de uma vida inteira. E quando chega essa fase, parece que ela aconteceu de ontem pra hoje.


As mudanças resvalam em todos dos setores:
  • financeiro: aumentam os gastos e diminui a renda. Logo, a família é obrigada a  assumir os encargos extras, como plano de saúde ou complementar a renda do idoso de forma geral. Tanto o idoso, como a própria família deve se preparar para essa realidade.
  • emocional: os filhos estão adultos e consequentemente ávidos para seguirem com suas vidas e suas escolhas. Quando são obrigados a cumprirem o papel de ocupação ou entretenimento do idoso, algumas vezes é sacrificante e tende a frustrar sempre uma das partes;
  • físico: havemos de cuidar do corpo e oferecer manutenção ao organismo, antevendo que ele deve nos servir por muito tempo, para que possamos gozar de autonomia e qualidade de vida no futuro. Sem dependências que poderiam ser evitadas;

Imagino que as colocações acima deva levar a contrariedades interpretativas, porque é comum as pessoas associarem à incompreensão e ingratidão. São recorrentes pensamentos como: os filhos “devem” aos pais; a lei natural é que os mais novos cuidem dos mais velhos; não amparar os idosos é ingratidão e egoísmo. Enfim, eu concordo com tudo isso.

No entanto, existem algumas reparações conceituais muito importantes a serem feitas:
  • Filho não é plano de previdência. Uma pessoa não deve vir ao mundo já como devedor de seus pais. Por isso, gerar um filho é o ato mais altruísta e desapegado que um indivíduo pode praticar; é investir seu amor e seu propósito em criar um ser humano de bem, e certamente contaremos com o retorno disso, mas as garantias não existem. Ele não será o seu passa tempo na velhice, nem tão quanto seus netos. Eles serão visitas amorosas na sua vida, quererão sua companhia por vontade própria e não por obrigação, buscarão o seu convívio porque é resultado de uma criação de liberdade de escolha e independência, mas não porque foram postos num cativeiro emocional. Muitas vezes os filhos são levados a duvidar da sua própria competência em suas escolhas, porque a manutenção da insegurança é a garantia da dependência.
  • A família deve ser a representação de um porto seguro para seus integrantes, mas jamais um calabouço que aprisiona e oprime, que veta a independência porque a liberdade pode sugerir exclusão ou abandono.
  • A competência dos pais se mede pela independência dos filhos. O amor que liberta ao invés de escravizar é aquele que vê com brandura e alegria as escolhas dos seus herdeiros. Respeito e confiança deveria ser o lema a ser registrado no brasão de todas as famílias.
  • Confiar que muitas vezes os acertos são construídos a partir dos erros, e que errar é garantido como direito humano, deveria ser básico a qualquer criação. Um filho não é ferramenta egóica que deve servir como alimento de orgulho  e vaidade. É um ser humano com vida própria.
  • O amor, a paciência e o desejo do convívio são sentimentos plantados desde sempre que renderão em reciprocidade no futuro, ou não. Vai depender de cada um.

O mais importante, e o que eu repito pelo menos uma vez por dia é: que ninguém deve nada a ninguém. E isso está certo e é assim mesmo que deve ser. Se o que te nutri é o sentimento de dever, então algo deu errado e deve ser revisto.

A escolha de ser mãe ou pai, deve também contemplar o desejo de realização pessoal de cada um, ou seja, ninguém está fazendo um “favor” gerando ou criando um filho, deve haver o reconhecimento da sua satisfação pessoal com isso, do contrário, não faça, porque corre o risco de gerar um passivo desleal com o seu filho.



Há muita beleza em envelhecer, mas isso fica melhor de ser constatado quando nos preparamos para isso, preferencialmente antes de acontecer. Há mais amadurecimento, menos sofrimento com incertezas ingratas, há menos preocupação e mais opção. Mas tudo isso dependerá de como se chegará até lá...