BEM VINDO! SINTA-SE À VONTADE!

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Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;

- Comportamento Humano;

- Patologias Psicoemocionais;

- Sentimentos: que constroem e que destroem;

- Relacionamentos;

Enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida emocional. Os textos não têm a pretensão de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.

Sinta-se à vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, é bem-vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista – SJCampos

quarta-feira, 11 de julho de 2018

DESABAFO NÃO!

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Uma vez, eu comprei um livro do Professor Contardo Calligaris, chamado “Cartas a Um Jovem Terapeuta”, e na dedicatória ele colocou que um dia seria eu escrevendo um livro igual aquele.

Prezado Professor, sinto em decepcioná-lo, mas hoje eu gostaria mesmo, era de escrever uma carta a um aspirante a analisando.
É exaustivo saber como as pessoas ainda pensam equivocadamente sobre o trabalho do Psicanalista. Então vamos lá, paulatinamente:

Estimado Analisando,
respondendo a sua pergunta mais recorrente: não. O Analista não vive de ouvir “desabafos”, pelo amor de Deus, sugiro que não cometa este insulto! Desabafo não requer conhecimento técnico ou anos de estudos, apenas um par de ouvidos seria suficiente.

Seguindo com suas dúvidas: não novamente. O Analista não dá palpite, nem opinião, nem tão quanto tira da manga soluções mágicas para seus problemas. Ele a princípio contribui para que você descubra quais são seus “verdadeiros” problemas.

Agora, sobre o primeiro encontro: a entrevista em terapia não serve pra saber se houve “simpatia” com o analista. O termo correto é empatia, e aliás, ela precisa ser recíproca. E não, a entrevista serve para muito mais que isto.

Imagino que agora queira saber o que o Analista faz afinal, já que é "não" para todas as perguntas. Parece cada vez mais fácil este trabalho...
Então prezado, o psicanalista recebe todas as informações da entrevista e as cataloga mentalmente, dividindo-as em queixas e sintomas. Em seguida, ele busca o enquadramento de um perfil diagnóstico analítico, já que todos nós nos encaixamos em um, e conforme cada um, requererá incrementos de atenção no acompanhamento.

Por fim, ele inicia o desenho de um mapa diagnóstico, que servirá de guia para determinar o ponto de partida; explorar os recursos psicológicos disponíveis no seu psiquismo e vislumbrar o seu ponto de alcance, ou seja, onde você deseja chegar.

Não se inquiete, é natural que você não tenha a maioria das respostas para o início do trabalho terapêutico, o que não é problema, mas também as respostas não serão sugestionadas pelo Analista. E isso por uma razão muito simples: o papel principal dele é servir de figura de transição, ele reproduz as perguntas pertinentes, coloca ênfase onde é necessária, mas as respostas saem mesmo é de você.
Tudo isso respeitando os limites do inconsciente individual e se responsabilizando por salvaguardar o setting analítico.

Continua achando mesmo que se trata de ganhar a vida ouvindo desabafos?

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